Parasitas, a Palma de Ouro de Cannes de Bong Joon-ho, a caminho de ser uma série da HBO

Falava-se de uma versão em língua inglesa do filme sul-coreano que é um pequeno grande sucesso indie, mas o destino é afinal o formato série, a televisão e o streaming.

,Coreia do Sul
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Uma imagem do filme de Bong DR

É um “shocker”, como escreve o site IndieWire, ou um desenvolvimento natural das mudanças tectónicas no cinema e na televisão mundiais? Parasitas, o filme do sul-coreano Bong Joon-ho que seguramente terá nomeações para os Óscares na próxima segunda-feira, está a caminho de ser uma série da HBO, noticiou a revista Hollywood Reporter.

O negócio ainda não está firmado em papel, mas as negociações envolverão directamente o próprio realizador e Adam McKay, realizador de Vice e A Queda de Wall Street (The Big Short) e um dos magos de bastidores por trás do crescente sucesso crítico da HBO, a série Succession. Ambos serão produtores executivos, ou seja terão poderes de autoria e a escrita de argumento. A Hollywood Reporter frisa que havia mais interessados no projecto de transformação do filme sobre a luta de classes que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2019 – nomeadamente a Netflix, mas a HBO saiu por cima, como fraseia a revista.

É um projecto para uma série limitada, ou seja uma série de poucos episódios e encerrada em si mesma, sem qualquer previsão de sequela ou temporadas subsequentes. Com ele, a HBO continua a afirmar-se como potência televisiva mas não só, atendendo à sua intenção de lançar já este ano um serviço de streaming próprio nos EUA (a HBO Max) como resposta à mudança no mercado operada pela pioneira Netflix. É também um regresso ao pequeno ecrã de Bong Joon-ho, que em 2017 fez o filme Okja para a Netflix e ficou descontente. “Nunca mais, prometo”, disse na altura.

Parasitas, um filme que roça a unanimidade crítica e que arrebatou Cannes, junta a temática sobre a desigualdade às relações entre duas famílias, num tom que não se fixa: ora é sátira, ora é um thriller, ora deixa o espectador entre registos. A sétima longa-metragem de Bong Joon-ho é também um filme irredutivelmente sul-coreano, sem os piscares de olho ao Ocidente que havia ensaiado em Okja ou, antes disso, em Snowpiercer – O Expresso do Amanhã (2013). Tudo indica, porém, que Bong vai voltar à língua inglesa. Entretanto, Snowpiercer – O Expresso do Amanhã foi adaptado a série pelo canal TNT (do grupo da HBO) e deve estrear-se este ano.

Dado o prestígio e as características de Parasitas, a reacção à notícia está a ser um misto de dúvida e surpresa: “Porquê, perguntam vocês? Para quem, questionam? Para que fim”, pergunta a revista Vanity Fair. “Shocker”, ou “choque”, titula o IndieWire, associando o negócio em curso ao sucesso que o filme está a ter na temporada de prémios e lembrando que já em 2019 se comentava a possibilidade de Parasitas dar origem a uma versão em língua inglesa com a produtora CJ Entertainment.

Parasitas é um pequeno grande fenómeno de popularidade indie. Em Portugal, por exemplo, já acumulou desde o final de Setembro, quando se estreou, mais de 26 mil espectadores e de 140 mil euros em receitas brutas de bilheteira, mantendo-se em exibição em Lisboa. Nos EUA, fez mais de 23 milhões de euros no box office. Na segunda-feira, as nomeações para os Óscares podem colocar Parasitas na lista de candidatos a Melhor Filme (e também, claro, na de Melhor Filme Internacional, o actual nome da antiga secção de Filme Estrangeiro), e Bong entre os nomeados para Melhor Realizador. O filme recebeu o Globo de Ouro de Filme Estrangeiro esta semana.