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Música sacra, um novo órgão digital e cinema no Ano França (parte dois...) da Casa da Música

Programação de 2020 abre com dez dias dedicados à cultura francesa, e não apenas à música. Há dois Te Deum, música para órgão, DJ e filmes com Jeanne Moreau.

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Jonathan Ayerst inaugurará o novo órgão digital da Casa da Música no dia 15 Casa da Música

Abre e fecha com a “música sagrada” de Hector Berlioz e de Marc-Antoine Charpentier o programa de dez dias com que a Casa da Música inaugura esta sexta-feira a segunda edição do Ano França, que irá marcar a programação de 2020. “São dois dos Te Deum mais famosos da história da música: o de Berlioz, um compositor central do século XIX; e o de Charpentier, um dos nomes mais relevantes do barroco francês, neste caso com a Orquestra Barroca Casa da Música a ser dirigida por um maestro especialista neste período, Hervé Niquet, que assim se estreia no Porto”, diz ao PÚBLICO António Jorge Pacheco na antevisão da abertura deste ano dedicado ao património musical francês.

Os dois hinos cristãos de acção de graças ecoarão na Sala Suggia, respectivamente esta sexta-feira (21h) e no dia 19 (18h). Entre os dois concertos, cinco outros programas envolverão as várias formações residentes, percorrendo diferentes épocas, estéticas e intérpretes da música francesa. Entre eles, destaca-se a entrada em cena das duas figuras que em 2020 estarão em residência no Porto, o compositor Philippe Manoury e o pianista Pierre-Laurent Aimard.

“Manoury, estranhamente – e a responsabilidade também é nossa –, não me lembro de ter sido tocado em Portugal”, nota o director artístico da Casa da Música, ressalvando a visita que o compositor francês fez ao Porto, em Abril de 2018, acompanhando a interpretação do seu arranjo para a Suite para Orquestra Rêve, de Claude Debussy.

Já Aimard é visita frequente da Casa, onde desde 2012 já se apresentou em quatro ocasiões. Nesta primeira jornada do novo Ano França, Aimard irá interpretar, em estreia portuguesa, Fragments pour un portrait, de Manoury (dia 11, 18h) – na sexta-feira seguinte, este dirigirá uma masterclass de composição cuja lotação está há muito esgotada (dia 17, 15h).

Entre os destaques deste início do Ano França 2020 conta-se ainda o concerto de inauguração de um novo órgão digital recentemente adquirido pela Casa da Música, com Jonathan Ayerst a interpretar peças de César Franck, Olivier Messiaen e Charles-Marie Vidor (Sala Suggia, dia 15, 21h). E também um novo modelo da Casa Aberta (dias 18 e 19), com actuações de músicos e DJ franceses e portugueses em abordagens novas de diferentes géneros da música daquele país, em que participarão nomes como JP Simões e os Sensible Soccers ao lado de Étienne de Crécy, Acid Arab e André Cascais.

“Como a Casa Aberta se transformou numa espécie de visita a um centro comercial, com milhares de pessoas aqui, quisemos fazê-la com menos gente, mas proporcionando uma experiência mais enriquecedora”, justifica António Jorge Pacheco, realçando que se mantêm os ensaios abertos ao público, mas agora antecedidos de palestras por musicólogos que enquadrarão os programas dos concertos.

Novidade também é a inclusão neste programa de abertura de um ciclo de cinema, numa parceria com o Cineclube do Porto: uma selecção de cinco filmes franceses que têm em comum o papel dramático da música. Serão exibidos, na Sala 2, Le Sang d’un Poète (1932), de Jean Cocteau (dia 15); French Can-Can (1954), de Jean Renoir (dia 16); Fim-de-Semana no Ascensor (1958), de Louis Malle (dia 17); Jules e Jim (1962), de François Truffaut; e Swimming Pool (2003), de François Ozon (ambos no dia 19).

Notícia corrigida para precisar que no concerto de dia 19 estará em palco a Orquestra Barroca e não a Orquestra Sinfónica da Casa da Música