Armando Gama detido por violência doméstica

O músico agredia física e psicologicamente a companheira, 35 anos mais nova, na presença do filho menor.

Armando Gama
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Armando Gama DR/ Facebook

O cantor Armando Gama foi detido pelo crime de violência doméstica na tarde de terça-feira pela GNR, confirmou o PÚBLICO junto de fonte oficial. A detenção, motivada pelo “perigo de continuidade das agressões praticadas” por parte do suspeito, aconteceu em Sobreiro, Mafra, numa altura em que o cantor estava a regressar a casa.

Armando Gama, 65 anos, “agredia física e psicologicamente a companheira, de 30 anos, na presença do filho menor do casal” que tem cinco anos, detalha o comunicado da GNR enviados às redacções. Após ter passado a noite na esquadra, o músico foi presente ao Tribunal Judicial de Sintra, “tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção de afastamento e proibição de contacto com a vítima”.

O representante de Portugal na Eurovisão em 1983 saiu em liberdade.

Na mesma nota, a GNR dá conta de outro caso de violência doméstica, também ocorrido em Mafra. Um homem de 37 anos, cujo nome não é revelado, exerceu “violência física, psicológica e financeira” sobre os dois pais. A mãe, 69 anos, e o pai, 72 anos, ficaram “sem dinheiro para as necessidades básicas”, completa o comunicado.

O suspeito foi detido na segunda-feira e presente ao Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste no mesmo dia. Foi-lhe aplicada a proibição de contacto com a vítima, com recurso a vigilância electrónica.

Trinta e cinco vítimas de violência doméstica mortas em 2019

Nos primeiros três meses de 2019 foram detidas duas pessoas suspeitas de violência doméstica por dia: foram 126 detenções, noticiava na altura o PÚBLICO, com base na informação disponibilizada pela GNR, PSP e Polícia Judiciária.

Ao longo de todo o ano de 2019, morreram 35 pessoas vítimas de violência doméstica: 30 mulheres adultas, uma criança e sete homens. Dessas mortes resultaram pelo menos 45 órfãos. Registaram-se também pelo menos 27 tentativas de homicídio.

Por comparação, em 2018 morreram 28 mulheres em contexto de violência doméstica, de acordo com os números do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). De acordo com a mesma organização, nos últimos 15 anos, houve 531 vítimas e 618 vítimas de tentativa de homicídio em contexto de violência doméstica.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) traça um retrato: entre 2013 e 2018 aconteceram mais de 104 mil crimes em contexto de violência doméstica e pelo menos 43.456 originaram processos de apoio pela APAV.

A maioria das vítimas que procuram a APAV são mulheres (85%) entre os 26 e 55 anos (42%). As vítimas são sobretudo mulheres casadas (33,7%) que pertencem a um tipo de família nuclear com filhos (41,2%) e a maioria dos agressores são homens. A maioria dos crimes continua a acontecer em casa e prevalece o tipo de “vitimação continuada em cerca de 80% das situações, com uma duração média entre os 2 e os 6 anos (16,9%)”.