Alto Minho prevê um “bom” ano de lampreia

Abre-se a época da lampreia e os fãs do “divino ciclóstomo” acorrem aos restaurantes e festivais que celebram a especialidade. Pelo Minho, acredita-se que a safra vai ser boa e há quem antecipe que este será um dos “melhores Janeiros de sempre”.

,Lampreias do norte
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Ou se ama ou se odeia, eis a lampreia Manuel Roberto
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Lampreia no rio Minho, a preparar depois da pesca Adriano MIranda
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Lampreia no rio Minho, a preparar depois da pesca Adriano MIranda
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Pratos de lampreia, no caso no D.O.C. de Rui Paula, na Folgosa Adriano Miranda
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Lampreia à bordalesa n' A Tasquinha da Portela, Paderne - Melgaço Nelson Garrido

A dias de começar mais uma temporada gastronómica dedicada à lampreia por terras minhotas, reunido restaurantes de vários municípios da região, o presidente da Associação de Pescadores do rio Minho e do Mar avançou que o arranque “positivo” da safra do ciclóstomo, no passado dia 2, perspectiva um “bom” ano de pesca, cuja época se prolonga até 20 de Abril.

“Deve ser dos melhores Janeiros de sempre. Os prognósticos auspiciam que seja uma boa safra. A chuva intensa que caiu nos últimos meses ajudou que a água doce entrasse no mar e trouxesse mais rapidamente o peixe para o rio, para a desova”, afirmou à Lusa Augusto Porto.

O pescador adiantou que a lampreia apanhada desde 2 de Janeiro “tem saído boa” e que, “na primeira venda, os exemplares têm atingido os 30 euros”.

A lampreia pode medir mais de um metro e pesar cerca de dois quilogramas, sendo considerada uma verdadeira iguaria da região do Minho.

Segundo números avançados à Lusa pelo comandante da capitania de Caminha, Pedro Costa, responsável pela fiscalização da actividade ao longo daquele rio internacional, este ano, estão matriculadas em Portugal 151 embarcações de pesca e, em Espanha, 64.

A faina da lampreia decorre na época em que a espécie volta a entrar nos rios, na direcção da nascente, para cumprir a fase de reprodução.

A actividade decorre em cerca de 35 quilómetros do rio Minho, variando em função da arte utilizada, já que pode ser feita com “lampreeiras”, a bordo de embarcações artesanais, ou com pesqueiras armadas, arte denominada botirão e cabaceira (estruturas antigas, em pedra, existentes no rio).

Nas pesqueiras a faina começa no dia 15 de Fevereiro. Desde Novembro de 2018, o uso do colete de salvação é obrigatório nas pesqueiras do rio Minho. A medida, aprovada pela Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha, surgiu na sequência dos acidentes mortais, envolvendo aquelas estruturas onde são colocadas redes para a captura da lampreia.

Já no rio Lima, e segundo dados do comandante do porto de Viana do Castelo, Sameiro Matias, estão devidamente licenciadas para aquela pesca “entre 45 a 50” embarcações locais. A faina faz-se apenas numa extensão total de 10 quilómetros, entre a cidade de Viana do Castelo e a freguesia de Lanheses, no mesmo concelho.

Contactado pela agência Lusa, Luís Miguel Ferreira, da direcção da Associação de Pescadores do rio Lima, foi mais cauteloso que os colegas do rio Minho. Admitiu que, em relação à safra de 2019, “Janeiro deste ano começou melhor, mas a quantidade ainda é reduzida”. “Ainda não se pode especular se vai ser um ano melhor ou pior do que 2019. É muito cedo”, disse.

Luís Miguel Ferreira referiu que, “por maré, estão a ser pescadas uma média de 10 a 12 lampreias” e que “o preço, em lota, ronda os 40 euros”. 

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