Portugal precisa de 40 mil novos postos de carregamento para carros eléctricos até 2030

Dados constam de um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, divulgado esta quarta-feira pela associação ambientalista Zero, que integra aquela plataforma

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O estudo defende que são precisos mais pontos de carregamento em habitações e junto aos locais de trabalho Sebastião Almeida

Se a Europa quiser cumprir o objectivo de se tornar neutra em carbono em 2050, um dos passos que terá de dar é o de garantir que possui cerca de três milhões de pontos de carregamento público para veículos eléctricos. É um número quinze vezes superior ao que existe actualmente, segundo um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) divulgado esta quarta-feira. Entre os países da União Europeia, Portugal está no sétimo lugar daqueles que terão de investir mais na área, para garantir que cria mais cerca de 40 mil novos pontos de carregamento até 2030.

Os dados foram divulgados pela associação ambientalista Zero, que integra a T&E, e que lembra, em comunicado, que o Pacto Verde anunciado pela comissária europeia Ursula von der Leyen, no que se refere aos transportes, “só pode acontecer com mais investimento em infra-estrutura de emissão zero, como a expansão ampla da rede de carregamento, o que significa investir dinheiro na criação da rede de carregadores, especialmente em casa e no trabalho, e não na construção de mais gasodutos fósseis”.

O sector dos transportes é responsável por cerca de 27% das emissões totais de gases com efeito de estufa na UE, percentagem que desce ligeiramente para 24% em Portugal, segundo dados do Governo. A aposta numa mudança para o transporte eléctrico – e, de preferência, para o transporte colectivo ou partilhado – é uma das medidas consideradas essenciais para se atingirem os objectivos de neutralidade carbónica em 2050. A Zero afirma que para que tal aconteça a UE “precisa de uma frota constituída por 40% dos novos carros com emissões zero em 2030 e, vender o último veículo com motor a combustão interna até 2035, o mais tardar”.

Tudo isto representa um investimento público e privado, até 2030, na ordem dos 20 mil milhões de euros, segundo as estimativas da T&E. Um valor que pode parecer muito elevado, mas que, recorda esta entidade, representa hoje “apenas 3% do gasto anual da EU em infra-estrutura rodoviária”.

Com cerca de mil pontos de carregamento público, Portugal aparece em sétimo lugar entre os países europeus que mais terão de investir para atingir o número de postos considerados suficientes por este organismo para atingir as metas ambientais pretendidas. O estudo da T&E indica que o país precisa de cerca de 20 mil novos postos de carregamento em 2025 e de 40 mil em 2030. A Zero defende que “o atraso na colocação de postos de carregamento está a retardar de forma muito significativa a adopção da frota de eléctricos pelos condutores”.

Entre Janeiro e Setembro do ano passado foram vendidos em Portugal 5422 carros eléctricos, elevando para 174.024 novos carros matriculados no país. No final do ano foi anunciado o lançamento de um concurso público internacional para a concessão, por dez anos, de 643 postos de carregamento de veículos eléctricos. O ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, defendeu que esse número terá de aumentar. “Seria uma desilusão se ao fim de um ano só estivéssemos a falar destes 643 postos e ao fim de dois anos certamente estaremos a falar de muito mais”, disse, na altura.

A Zero defende que deve ser dada prioridade “ao carregamento de veículos eléctricos em habitações e locais de trabalho” e lembra que o estudo da T&E refere que 20% a 30% dos novos pontos de carregamento “precisarão de estar localizados em áreas menos favorecidas e menos densamente povoadas para garantir que todos beneficiam de veículos com zero emissões”.

O programa do Governo de António Costa propõe que a instalação de pontos de carregamento doméstico para veículos eléctricos seja facilitada, e abre a possibilidade para que no futuro venha a ser obrigatório que “todos os edifícios novos” disponham “nas respectivas garagens” desse tipo de estruturas.