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Rui Rio com “ambição” de vencer Câmara de Lisboa e promete escolher quem for “competente e leal”

Na apresentação da sua moção de estratégia em Lisboa, o líder social-democrata voltou a apontar as próximas autárquicas como determinantes para o PSD, depois das derrotas de 2013 e 2017.

Rui Rio
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Rui Rio LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Rui Rio, manifestou na terça-feira a ambição de vencer a Câmara de Lisboa em 2021, defendendo que tem de ser escolhido como candidato quem for “competente e leal”.

Na sessão de apresentação da sua moção de estratégia em Lisboa - numa sala cheia e com pessoas de pé, com cerca de 200 lugares sentados -, o líder social-democrata voltou a apontar as próximas autárquicas como determinantes para o PSD, depois das derrotas de 2013 e 2017.

Como objectivo, apontou “mais do que eleger muitos presidentes de câmara, eleger muitos mais vereadores”, e dedicou uma atenção particular à capital, concelho onde reivindica ter passado dos 11% das últimas autárquicas para 25,5% nas legislativas.

“Demonstra que nós podemos olhar - e agora falo particularmente de Lisboa - para a câmara municipal com ambição de ganhar. Temos é de nos saber comportar”, afirmou.

Como exemplo do que não pode acontecer, Rio referiu as autárquicas de 2013 em Sintra - em que o PSD candidatou o ex-líder da distrital de Lisboa e deputado Pedro Pinto e foi a terceira força política mais votada, atrás de Basílio Horta (PS) e de Marco Almeida, que concorreu como independente.

“Aquilo que nós temos de fazer em todo o lado e particularmente aqui - conhecendo como isto funciona em Lisboa - é que não podemos escolher o amigo, a amiga, o companheiro, nós temos de escolher quem está em melhores condições. Não é por ter estado a favor ou contra, desde que seja competente e leal, aí está em condições de ir, se não for nem competente nem leal pode ser amigo, mas não pode ir”, defendeu, recebendo um forte aplauso.

Na sua intervenção de cerca de meia hora, Rio reiterou qual o estilo de oposição que defende desde sempre.

“Tem de ser credível e feita de forma construtiva, eu não concebo uma oposição destrutiva (...). Quando estamos na vida pública é para construir e não para destruir. Alguém que está para destruir não está para servir o país”, afirmou.

O líder do PSD assegurou “não ser ingénuo”, mas também não estar de “má-fé”, o que considera implica “denunciar aquilo que está mal” na acção do Governo, mas também “ter a grandeza” de concordar com o que está bem.

“Só numa visão futebolística é que só vejo penáltis a favor da minha equipa”, ironizou, considerando que “muitas vezes os partidos andam a procurar discordâncias onde elas não existem”.

Como principais falhas do Governo, o líder do PSD destacou o “persistente aumento da carga fiscal”, a “degradação” dos serviços públicos, o “fraco” investimento público e a “ausência de reformas” na administração pública.

O líder do PSD fez questão de saudar, além da ex-líder do partido Manuela Ferreira Leite, duas pessoas presentes na sala que trabalharam directamente com o fundador Francisco Sá Carneiro: Ângelo Correia e Pedro Roseta.

Rui Rio nunca se referiu directamente aos seus adversários nas directas, mas, antes, o vice-presidente David Justino apontou implicitamente a Luís Montenegro.

“O PSD tem uma força enorme que não vem só de dentro, mas, acima de tudo, vem da sociedade”, afirmou, numa referência ao slogan de campanha do antigo líder parlamentar social-democrata.

Já Paulo Ribeiro, ex-líder da concelhia de Lisboa, e mandatário distrital, foi mais concreto no ataque ao outro candidato, Miguel Pinto Luz, desafiando-o a esclarecer se mantém a posição que afirmou na Madeira em relação ao orçamento.

“Afinal quem é a muleta do PS? É o PSD de Rui Rio que vota contra o orçamento ou é o PSD de Miguel Pinto Luz que encara com naturalidade que deputados do PSD-Madeira façam passar o orçamento do Governo do PS?”, questionou.

O actual presidente do PSD, Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o actual vice-presidente da Câmara de Cascais disputam no sábado a presidência do partido em eleições directas.

Se nenhum deles obtiver “a maioria absoluta dos votos validamente expressos”, 50%, a segunda volta realiza-se uma semana depois, dia 18, entre os dois candidatos mais votados.

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