Turquia e Rússia procuram um cessar-fogo na Líbia

Erdogan e Putin encontraram-se em Istambul e emitiram uma declaração conjunta apelando a conversações de paz sob o auspício da ONU.

Um tanque das forças do marechal Haftar atingido numa das ofensivas contra Trípoli
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Um tanque das forças do marechal Haftar atingido numa das ofensivas contra Trípoli Ismail Zetouni/Reuters

Turquia e Rússia pressionaram esta quarta-feira as partes envolvidas no conflito na Líbia a declararem um cessar-fogo no dia 12, ao mesmo tempo que as forças do Leste continuavam os seus ataques aéreos às posições do Governo, num conflito que atrai cada vez mais preocupação e envolvimento estrangeiro.

A Turquia apoia o Governo do Acordo Nacional (GAN), de Fayez al-Serraj, em Trípoli, e já anunciou que irá enviar tropas em seu auxílio, tal como lhe foi solicitado, enquanto a Rússia enviou forças para apoiar o Exército Nacional do Líbano (ENL) do marechal Khalifa Haftar.

No entanto, depois de conversações entre os presidentes Tayyip Recep Erdogan e Vladimir Putin em Istambul, Turquia e Rússia emitiram uma declaração conjunta a pedir o fim das hostilidades, a normalização da vida em Trípoli e outras cidades e negociações de paz sob os auspícios das Nações Unidas.

O conflito está a minar a segurança na região e a “desencadear a migração irregular, mais disseminação de armas, terrorismo e outras actividades criminais, incluindo o tráfico ilícito”, lê-se na declaração.

Na segunda-feira, numa rápida ofensiva, o ELN tomou o controlo de Sirte, uma importante cidade estratégica no centro da costa mediterrânica da Líbia e procura consolidar os seus avanços.

Desde Abril, o ENL tem levado a cabo uma campanha para tomar a capital, Trípoli, a cerca de 370 km a noroeste de Sirte, onde tem combatido as forças aliadas ao Governo reconhecido internacionalmente.

As forças do GNA afirmam que abandonaram Sirte para evitar um banho de sangue.

Estas forças são, sobretudo, do porto de Misrata, 190 km a Leste de Trípoli, e vinham controlando Sirte desde que expulsaram os militantes do Daesh da cidade no final de 2016.

Na terça-feira à tarde, combates irromperam à volta de Al-Washka, na estrada entre Sirte e Misrata, onde fontes do ELN afirmam que nove dos seus homens foram mortos num ataque nocturno de um drone.

Na quarta-feira, o ELN ripostou com ataques perto do checkpoint de Abu Grein, próximo de Al-Washka, onde os confrontos continuam, afirmam oficiais do ELN.

A Líbia está dividida desde 2014 em duas forças rivais, uma baseada em Trípoli a outra no Leste, cada uma com as suas instituições, e a ofensiva de Haftar contra a capital líbia fez cair por terra os esforços da ONU para alcançar um acordo político.

A agitação na Líbia, onde o longo reinado de Muammar Khadafi foi derrubado em 2011, levou nos últimos anos a perturbações na produção de petróleo dos membros da OPEP, alimentou o tráfico de migrantes para a Europa e abriu espaço para islamistas fanáticos.

Os poderes regionais aumentaram a sua intervenção, com o ELN a receber apoio dos Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Egipto.

O chefe da diplomacia da União Europeia e os ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, França, Alemanha e Itália condenaram esta semana os planos da Turquia de enviar especialistas e formadores militares para a Líbia, dizendo que a interferência está a exacerbar a instabilidade.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, encontrou-se com Haftar em Roma esta quarta-feira e tinha previsto encontrar-se também com Al-Serraj, referiu uma fonte do Governo italiano.