Wall Street reage às palavras de Trump e atinge novos máximos

Intervenção do presidente norte-americano apaziguou, por agora, o nervosismo com que Nova Iorque tinha iniciado a sessão, levando índices S&P 500 e Nasdaq a novos máximos históricos. Na Europa, apenas Lisboa fechou a perder

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Índice nipónico Nikkei fechou a perder 1,57% esta manhã Reuters/ISSEI KATO

Wall Street já tinha iniciado a sessão a valorizar no arranque desta tarde, mas foi com a intervenção de Donald Trump que novos máximos foram atingidos. O presidente norte-americano afastou para já uma retaliação militar ao ataque de ontem à noite do Irão a bases norte-americanas no Iraque, mas alertou que as sanções económicas a Teerão serão agravadas em breve. 

Em reacção ao discurso de Trump, proferido em cima do fecho dos mercados na Europa (16h30, hora de Lisboa), o índice industrial S&P 500 reforçou os ganhos para 0,68%, nos 3.259,20 pontos e o tecnológico Nasdaq acelerou para 0,71%, nos 9.132,94 pontos. Nos dois casos, segundo a Reuters, são novos máximos históricos, superando o optimismo com que ambos tinham iniciado o ano, à conta de um possível entendimento comercial EUA-China. Já o industrial Dow Jones, que seguia no início da tarde a ganhar 0,03%, evoluiu para 0,72%, nos 28.788,08 pontos.  ​

Na Europa, as bolsas passaram esta manhã no vermelho, mas acabaram por inverter, com apenas uma excepção, em Lisboa. O português PSI20 que recuara 0,70% durante a manhã, diminui o ritmo de perdas para 0,16% após a abertura da bolsa de Nova Iorque, mas ainda assim fechou no vermelho, a cair 0,06% (5.226,97 pontos). 

Nas principais praças do resto da Europa, o alemão Dax, que tinha estado a desvalorizar 0,68% a meio da sessão, também penalizado por números de produção industrial mais fracos do que o previsto, divulgados esta manhã, inverteu para ganhos de 0,71% no fecho (13.320,18 pontos). 

Em Paris, o CAC 40, que estava a descer 0,52%, passou a apreciar 0,14% e acabou a encerrar a sessão a ganhar 0,31% (6.031,00 pontos). Em Madrid, o IBEX 35 que cedera 0,51%, acabou por avançar 0,12% (9.591,40 pontos).

Em Londres, o FTSE 100 terminou na linha de água, ainda assim positivo em 0,o1% (7.574,93 pontos).    

Nas praças asiáticas, mais penalizadas porque abertas logo após serem conhecidas as primeiras notícias do ataque iraniano às bases norte-americanas desta madrugada, o índice nipónico Nikkei encerrou com uma perda de 1,57%, nos 23.204,76 pontos. 

Ouro em máximos de sete anos

O ouro valorizou esta quarta-feira 2% nos mercados internacionais, ultrapassando a fasquia dos 1.600 dólares por onça pela primeira vez em sete anos, segundo os dados da Reuters. Antes da abertura das praças europeias, a cotação internacional do ouro chegou aos 1.610,90 dólares, o valor mais elevado desde Março de 2013, enquanto que os contratos futuros ganhavam 1,1%, para 1.519, 90 dólares por onça nos EUA.

Na segunda-feira, arranque da primeira semana de negociação após o ataque norte-americano que matou o general militar iraniano Qassem Soleimani na sexta-feira anterior no Iraque e de Donald Trump ter ameaçado no fim-de-semana retirar as tropas do seu país do território iraquiano, os analistas da Goldman Sachs, citados pela Bloomberg, defenderam que no actual contexto o ouro é mais seguro que o petróleo como investimento refúgio em clima de instabilidade económica e política. Nesse dia, o preço do metal à vista atingiu o máximo de seis anos nos mercados.  

O Iraque – cenário onde, até agora ocorrem o mais recente ataque norte-americano e contra-ataque iraniano - é segundo maior produtor membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A região do Médio Oriente representa quase metade da produção mundial da matéria-prima energética, passando pelo estreito de Ormuz um quinto do transporte marítimo de petróleo mundial, contabiliza a Reuters.

O petróleo seguia esta manhã com ganhos mais modestos do que no início desta semana, em que as valorizações chegaram aos 4%. Em Londres, os contratos futuros de Brent – crude do Mar do Norte que é referência para a economia portuguesa – ganhavam 1,1%, para 69 dólares por barril, depois de terem tocado nos 71,75 dólares por barril, o valor mais elevado desde meados de Setembro passado.

Na praça norte-americana, os contratos de entrega futura de petróleo medidos pelo índice West Texas Intermediate chegaram esta manhã a 65,85 dólares por barril, o preço mais elevado desde Abril de 2019, ganhando agora 0,9%, nos 63,23 dólares por barril.

Notícia actualizada com reacções dos mercados ao discurso de Donald Trump e fecho da Europa