Movimento avança com processo de destituição de Varandas

Carlos Mourinha, um dos líderes do movimento, adianta ao PÚBLICO que foram recolhidas assinaturas equivalentes a três mil votos. Grupo acusa Frederico Varandas de má gestão do clube e falta de transparência.

Frederico Varandas foi eleito em Setembro de 2018
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Frederico Varandas foi eleito em Setembro de 2018 LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

O Movimento “Dar Futuro ao Sporting” entregou, esta terça-feira, os documentos necessários para a realização de uma Assembleia Geral (AG) extraordinária para a destituição do presidente “leonino”, Frederico Varandas.

Um dos líderes deste movimento, Carlos Mourinha, adianta ao PÚBLICO que o grupo conseguiu recolher assinaturas equivalentes a cerca de três mil votos, valor três vezes superior ao mínimo presente nos estatutos do clube. Carlos refere que estas assinaturas foram reunidas em apenas quatro acções junto ao Estádio José Alvalade. Na reunião com Rogério Alves, desta terça-feira, ficaram acordados os prazos para a revisão dos documentos. 

“Entregámos mais de 1200 páginas de documentação relacionadas com este pedido. A reunião demorou um pouco para o número de páginas e a documentação serem validadas pela Mesa da Assembleia Geral (MAG). A reunião correu muito bem. O doutor Rogério Alves [presidente da MAG] pediu-nos um prazo de 15 dias úteis para rever a documentação. Prazo esse que nós aceitámos. Foi-nos dito que, após esses 15 dias, teremos o mesmo período para fazermos a recolha de fundos para o pagamento da Assembleia Geral de destituição”, detalha Carlos Mourinha.

De acordo com os estatutos, as despesas da AG têm de ser suportadas pelos promotores da mesma. O local onde esta decorrerá é decidido pela MAG. “[O custo] depende sempre do local. No Pavilhão João Rocha, propriedade do clube, não se paga aluguer do espaço. Respeitamos a posição da MAG. Apenas queremos que se cumpram os estatutos”, defende um dos líderes do movimento. Aquando da destituição de Bruno de Carvalho, o espaço escolhido para a votação foi o Altice Arena. Carlos Mourinha acredita que será possível reunir o valor necessário para esta reunião, destacando o apoio que o movimento conseguiu reunir juntos dos sócios “leoninos”. 

Movimento aponta promessas falhadas

Anexa à documentação, foi também entregue pelo movimento os motivos que os subscritores julgam ser suficientes para a destituição de Frederico Varandas. No início do documento, a que o PÚBLICO teve acesso, o grupo aponta promessas eleitorais que não foram cumpridas pelo presidente.

Começando logo pelo slogan da campanha de Varandas, “unir o Sporting”, o movimento refere o corte de protocolo com alguns grupos organizados de adeptos, acusando ainda a direcção de, nos jogos disputados em Alvalade, ter “aumentado o som das colunas para censurar a crítica”. Do ponto de vista estratégico, os subscritores destacam a “miragem” da Academia das Modalidades e a quebra no número de sócios e público no estádio. São ainda apontados incumprimentos estatutários, bem como falta de transparência em alguns negócios realizados pelo Sporting.

Questionado se este movimento é patrocinado por algum ex-candidato à presidência “leonina” ou qualquer figura do universo “verde e branco”, Carlos Mourinha responde taxativamente que o movimento tem total independência. “Como ficou provado por todas as pessoas que nos conheceram e acompanharam, não temos qualquer tipo de ligação. Queremos o melhor para o Sporting e, na nossa óptica, isso envolve a revogação do mandato dos órgãos sociais”, finaliza.

O movimento aguarda a confirmação de que a documentação entregue está de acordo com os estatutos, para poder avançar com a recolha de fundos para a realização da AG.

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