Portugueses têm menos cuidado com as palavras-passe do que a média da UE

Preocupação com as actividades online está a aumentar. Mas só 13% dizem variar a palavra-passe consoante o site usado.

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As preocupações dos portugueses com a segurança dos dados pessoais e das actividades online está a crescer, mas o comportamento dos utilizadores de Internet em Portugal é menos cauteloso do que o registado na União Europeia, segundo um relatório recém-divulgado do Centro Nacional de Cibersegurança.

Os números indicam que 49% dos utilizadores tinham em 2018 preocupações com os dados pessoais, uma subida face aos 28% em 2014. Já 73% evitavam revelar informação pessoal online e 75% estavam preocupados com software malicioso – todos valores que subiram em relação ao ano anterior.

Porém, só 13% afirmaram usar palavras-passe diferentes para os vários serviços online que usam, um número que fica muito aquém dos 29% que são a média da União Europeia. Na mesma linha, apenas 12% disseram usar palavras-passe mais complexas do que no passado (contra 27% na UE) e 16% mudam a palavra-passe regularmente (menos do que os 21% da média europeia).

O relatório compila dados de várias fontes, incluindo o Instituto Nacional de Estatística e o Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE.

Por outro lado, o documento aponta uma confiança crescente nos métodos de pagamento online. As preocupações com este género de actividade preocupavam 47% dos inquiridos em 2017, tendo caído para 38% em 2018.

O relatório destaca que os “portugueses mais novos e com menos estudos tendem a preocupar-se menos ou nada em relação ao uso da internet para actividades como o banco online ou a compra de bens e serviços online”.

O recurso ao comércio online tem vindo a crescer em Portugal, embora este seja um indicador em que o país tem estado sempre aquém dos valores médios observados na União Europeia. Quase 39% dos residentes em Portugal fizeram compras online, um valor que significa uma subida de três pontos percentuais, mas que fica distante dos 69% registados na UE.

Em Setembro, números do INE tinham indicado um ligeiro aumento no número de pessoas a afirmarem terem-se deparado com problemas de segurança online. Os valores davam também conta da adopção de um comportamento mais cauteloso.

Segundo aqueles dados, 28% dos utilizadores de Internet tinha encontrado pelo menos um problema online (como tentativas de roubo de dados pessoais) e quase metade limitaram actividades online, como compras ou a inserção de dados em redes sociais, devido a receios relacionados com cibersegurança e privacidade.

O relatório do Centro Nacional de Cibersegurança refere também que os utilizadores em Portugal se sentem menos confiantes no que diz respeito à capacidade de autoprotecção: 53% acreditam serem capazes de se proteger de cibercrimes, um valor que sobre para 61% na UE.

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