Hospital de Santa Maria usa tratamento inovador para problema grave de visão

Recurso a transplante de membrana amniótica tem permitido encerrar buraco macular na retina, um problema de visão grave. Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte anuncia que já fez quatro cirurgias com esta técnica.

Íris
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PEDRO CUNHA / PUBLICO

O serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), a que pertence o Hospital de Santa Maria, anunciou que está a realizar um tratamento inovador para fazer o encerramento de buraco macular na retina, um problema de visão grave, com recurso a transplante de membrana amniótica.

Em comunicado, o CHULN revela que realizou quatro destas cirurgias nos últimos meses e “prevê realizar mais três transplantes até ao final de Janeiro com recurso a esta técnica inovadora, usada em poucos centros a nível mundial, que se mostra 100% eficaz em casos que até há pouco tempo não tinham solução”. Na mesma nota, explica-se que o buraco macular atinge a parte central da retina, que é responsável pela visão fina, central e das cores.

Desde 1990 que existem técnicas cirúrgicas para tratar este problema em algumas situações, com uma taxa de sucesso a rondar os 90%. Contudo, nos casos em que os buracos maculares tinham grandes dimensões, “não havia mais tratamento possível”, refere o centro hospitalar. A partir de 2017 surgiram técnicas para estes casos particulares, como o transplante de retina autólogo, mas em meados de 2019 o CHLN passou para o encerramento do buraco macular com transplante de membrana amniótica.

O comunicado adianta que das quatro cirurgias realizadas com recurso a esta técnica, todas tiveram “100% de sucesso”. “Muito recentemente passámos a realizar uma intervenção ainda mais eficaz, com membrana amniótica, da placenta”, explica na nota Mun Faria, coordenadora do departamento de Retina Cirúrgica.

A médica acrescenta que colocam uma porção de membrana no buraco macular e que têm conseguido uma taxa de encerramento de 100%, “com os doentes a recuperarem a visão”. “Sabemos que quando há lesão num tecido nervoso não há recuperação. O globo ocular tem na sua zona central uma extensão do sistema nervoso, com camadas de células nervosas. Conseguindo estes resultados, não só tratamos os doentes como podemos abrir perspectivas para novos tratamentos neurológicos”, perspectiva Mun Faria.