Precisa-se de luvas para coalas e bolsas para cangurus

Em croché, tricot ou costuradas, há doações a chegar dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Hong Kong, França e Alemanha ao Animal Rescue Craft Guild, na Austrália.

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Um coala ferido durante os incêndios e hospitalizado REUTERS/Stefica Nicol Bikes
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Um canguru bebe de um poço Reuters/David Gray

As agulhas de tricot trabalham incansavelmente, um pouco por todo o mundo, para criar bolsas e cobertores protectores para os animais australianos, que ficaram sem abrigo nos incêndios que persistem naquela região do globo. O Animal Rescue Craft Guild declarou, nesta segunda-feira que foi inundado com ofertas de ajuda depois de ter pedido para que fizessem chegar peças de protecção para morcegos, bolsas para cangurus, ninhos de pássaros, luvas para coalas e outras casas aconchegantes para marsupiais.

As doações a esta associação de voluntários chegaram de lugares tão distantes como Estados Unidos, Grã-Bretanha, Hong Kong, França e Alemanha. “A resposta foi incrível”, declarou Belinda Orellana, membro fundador da organização à Reuters.

Nas últimas semanas, os incêndios em toda a Austrália atingiram oito milhões de hectares de florestas, uma área do tamanho da Áustria, e os especialistas estimam que o número de animais que sucumbiram, incluindo animais domésticos, seja de cerca de mil milhões, além de centenas de milhares de animais selvagens feridos e deslocados.

“O nosso grupo cria e fornece protecções para resgatar animais a prestadores de cuidados, em todo o país, pessoas que cuidam da vida selvagem”, define a responsável, avançando que estão a doar milhares de protecções para os animais, em todo o país, e que continuam a precisar de doações de tecidos para continuar a fazer aconchegos para os animais.

Originalmente formada, há alguns meses, para fazer camas e casacos para cães e gatos, a organização, com quase 81 mil membros no Facebook, mantém activos artesãos que fazem croché, tricot e costuram uma variedade de itens para os animais selvagens.

Lara Mackay, voluntária que mora na Nova Zelândia, acabou de fazer sua primeira bolsa improvisada para cangurus, e testou-a em casa com o seu gato. “Planeio fazer o maior número possível de bolsas e estou a pedindo doações de tecidos para continuar a costurar”, declara. Em Singapura, Leslie Kok faz a sua bolsa e tem-se encontrado com outros voluntários para partilhar materiais e dicas. “Tricotarei enquanto houver necessidade”, adianta. Mais perto do incêndio, Simone Watts, nas Montanhas Azuis, nos arredores de Sydney, viu o pedido de ajuda e começou a trabalhar, transformando fronhas em camas para morcegos ou raposas voadoras. “Olhei para a lista do que é mais necessário em comparação à minha capacidade de costura bastante básica e decidi que poderia contribuir desta forma”, justifica.

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