Violência no futebol será castigada, garante Governo. Varandas vai ser ouvido

Primeiro passo passará pela identificação de adeptos envolvidos nos incidentes do fim-de-semana. Frederico Varandas reúne com secretários de Estado para abordar o tema na quarta-feira.

Bombeiro a retirar pote de fumo em Alvalade
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Bombeiro a retirar pote de fumo em Alvalade LUSA/MIGUEL A. LOPES

Os jogos da 15.ª jornada ficaram marcados pelos comportamentos violentos de alguns adeptos pertencentes a grupos organizados. No D. Afonso Henriques, na partida de sábado entre V. Guimarães e Benfica, os adeptos “encarnados” interromperam a partida por quatro vezes, com tochas arremessadas para o terreno de jogo e lançadas em direcção aos adeptos adversários. No clássico entre Sporting e FC Porto de domingo, potes de fumo e tochas foram arremessados para o relvado pelas claques “leoninas”, em protesto contra a direcção de Frederico Varandas.

Os mais recentes incidentes voltaram a trazer para o espaço público a discussão sobre o combate à violência no Desporto. Em declarações ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, garante que os prevaricadores serão castigados pelas instituições competentes como, faz questão de referir, tem acontecido até aqui.

“Nestas situações, a justiça desportiva apresenta-se na forma das condenações disciplinares, aplicadas pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). No âmbito da justiça administrativa, falamos de contra-ordenações, tratadas pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD). Muitas vezes, os factos são amplamente divulgados e não há igual tratamento do ponto de vista público das condenações. Passa a ideia de que estes actos não são punidos, o que não é verdade”, aponta João Paulo Rebelo.

Rodrigo Cavaleiro, presidente da APCVD, diz ao PÚBLICO que ainda é cedo para tentar avaliar potenciais punições, mas adianta que a primeira acção se prende com uma interdição preventiva dos adeptos identificados pelas forças de segurança presentes no estádio.

“Tudo depende da matéria incluída nos autos. Estamos ainda numa fase muito precoce. Em determinadas situações, pela questão dos indícios fortes e pela severidade dos incidentes, a APCVD aplica uma medida cautelar em que promove a interdição do adepto dos recintos desportivos. A nova lei vem proporcionar o afastamento destes adeptos identificados nestes incidentes. Mas convém referir que não estamos a falar de julgamentos precipitados, mas sim de uma medida cautelar preventiva”. 

Os primeiros castigos serão as multas da FPF: raras são as vezes que o comportamento dos adeptos — especialmente apoiantes dos “três grandes” — não seja alvo deste tipo de castigo. Contudo, há quem questione se o valor das coimas será suficiente para que os clubes controlem com pulso firme as suas claques.

No “campeonato das multas”, o Benfica é líder isolado: de acordo com o jornal O Jogo, as “águias” já tiveram de desembolsar mais de 120 mil euros em 2019-20. Na oitava jornada, no recinto do Tondela, o clube da Luz foi multado em 10.200 euros pelo arremesso de um engenho pirotécnico para o relvado que motivou a interrupção da partida. Prevê-se que o castigo relativo ao encontro de sábado seja mais pesado, devido ao elevado número de tochas enviadas para o relvado e as várias paragens no jogo.

Frederico Varandas reúne com Governo

Na próxima quarta-feira, o presidente do Sporting, Frederico Varandas, vai ser recebido pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, e pelo secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo. O clube de Alvalade está em guerra aberta com duas claques, depois de ter cortado relações institucionais com Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI. Desde então, os jogos dos “leões” têm sido marcados por fortes protestos destes dois grupos, impedidos de exibirem as tradicionais faixas e bandeiras nos estádios portugueses.

João Paulo Rebelo não revelou concretamente se a gestão deste corte de relações será um dos temas debatidos na reunião que, explica, se focará na questão da segurança e combate à violência nos recintos desportivos.

Dado os acontecimentos ocorridos em Guimarães, equaciona reunir-se também com Luís Filipe Vieira? “É importante entender-se o seguinte: o relacionamento que os clubes têm com os seus adeptos diz respeito aos próprios clubes. Não deve ser o Estado a tecer qualquer tipo de considerações na forma desse relacionamento. Temos procurado garantir, sensibilizando os agentes desportivos para isso, a erradicação de comportamentos violentos”, finaliza o secretário de Estado da Juventude e Desporto.