Austrália chama três mil militares na reserva para combater incêndios

Helicópteros e navios anfíbios são usados para salvar pessoas cercadas pelo fogo, com a temperatura a bater recordes em alguns locais. Termómetros chegaram aos 48,9ºC in Penrith, Nova Gales do Sul.

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LUSA/DEAN LEWINS

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, convocou três mil militares na reserva para reforçar o combate aos incêndios que estão a devastar o país. As chamas já queimaram uma área superior a metade de Portugal, mais de cinco milhões de hectares de floresta, alguma dela património da humanidade. O número de mortes nos incêndios subiu para 23, depois de duas pessoas terem morrido na Ilha Kangaroo, no Sul da Austrália.​ As chamas também vitimaram milhões de animais e levaram à evacuação das zonas mais afectadas. 

Neste fim-de-semana estão previstas temperaturas altas e ventos fortes, e foram batidos recordes de temperatura em vários locais. A capital, Camberra, chegou a 43,6 graus, que é mais 1,4º do que o anterior registo mais alto, de 1968. Os ventos começaram a mudar de direcção, indo agora de sudoeste, o que leva os incêndios para áreas até agora não afectadas.

Há esperança de chuva nas zonas costeiras do estado de Victoria, mas o risco de incêndio continua elevadíssimo. Daí a decisão de mobilizar os reservistas para ajudar a tirar os habitantes do caminho das chamas e ajudar com a recuperação das áreas queimadas no Sul – algo inédito na história australiana. Nos estados de Nova Gales do Sul e Vitória, duas das áreas mais afectadas pelos incêndios, seis pessoas continuam desaparecidas.

O maior navio anfíbio da Marinha australiana, o HMAS Adelaide, partiu neste sábado de Sydney para a costa Sul, para ajudar a retirar pessoas, e foram mobilizados helicópteros Chinook e aviões de combate ao fogo, anunciou o primeiro-ministro, citado pela televisão australiana. 

De resto, os incêndios florestais australianos são tão grandes que os modelos científicos normalmente usados para prever a sua evolução se estão a revelar inúteis, disse à ABC (televisão pública australiana) Andy Gillham, da equipa de emergência de Bairnsdale (estado de Vitória). Os incêndios criam basicamente a sua própria meteorologia, afirmou. “Sabemos mais ou menos o que se está a passar, mas o fogo faz o que quer no ambiente”, afirmou.

Nos próximos dias, disse Gillham, algumas comunidades “vão ver as chamas aproximar-se de todas as direcções”, avisou. “Por isso foi declarado o estado de desastre – para que as pessoas fugissem.”

Alegado aproveitamento político vale críticas a Scott Morrison

Depois de vários episódios em que os australianos se mostraram críticos com a actuação do Governo nestes incêndios, o primeiro-ministro, Scott Morrison, publicou um vídeo no Twitter onde detalhou os vários investimentos adoptados nas últimas semanas. Contudo, esta mensagem é assinada pelo Partido Liberal, com o primeiro-ministro australiano a ser acusado de ter como objectivo um aproveitamento político da tragédia.

A Associação de Defesa Australiana (ADA) — organismo independente de defesa nacional — acusou o primeiro-ministro de explorar o trabalho desta organização para fins partidários, “numa quebra clara da convenção não partidária acordada entre a ADA e o Governo”. A ADA diz ainda que o vídeo publicado por Scott Morrison assenta em clichés.

Por sua vez, Scott Morrison diz que a assinatura do partido é uma obrigação imposta por lei, garantindo que o Partido Trabalhista faz o mesmo nas suas publicações.