Sindicato: adesão à greve dos trabalhadores da Portway nos aeroportos chega aos 70%

Há voos atrasados e três cancelamentos no segundo dia de paralisação dos trabalhadores em Lisboa, Porto, Faro e Funchal. ANA vê impacto reduzido e pouco assinalável.

A Portway é detida pelo grupo Vinci, dono da gestora aeroportuária ANA
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A Portway é detida pelo grupo Vinci, dono da gestora aeroportuária ANA Nelson Garrido

A greve dos trabalhadores da Portway estava na manhã deste sábado com uma adesão de 70%, provocando atrasos e o cancelamento de três voos, dois da Easyjet e um da Brussels Airlines, afirma o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac).

Este sábado é o segundo de três dias de greve dos trabalhadores da Portway que prestam assistência em terra nos aeroportos portugueses de Lisboa, Porto, Faro e Funchal.

À Lusa, o dirigente do Sintac Fernando Simões disse que a média global nacional de adesão à greve por volta das 12h “rondava os 70%”. Durante a manhã houve alguns atrasos nas descolagens. Por exemplo, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, alguns voos registaram atrasos na ordem dos 10/20 minutos, outros uma diferença de meia hora, 50 minutos ou duas horas, segundo as informações publicadas no site da ANA.

Os trabalhadores acusam a Portway (empresa controlada pelo grupo Vinci, também dono da gestora aeroportuária ANA) de não cumprir o acordo de empresa assinado em Junho de 2016, ao não descongelar as progressões nas carreiras profissionais, razão que está na base da greve destes três dias — a paralisação começou na sexta-feira (27), decorre durante o dia de hoje (28) e termina no domingo (29).

“A adesão continua a dar sinais de ser muito idêntica à de ontem [sexta-feira], desde as primeiras horas da manhã, porque todos os aviões saíram com atrasos que variaram entre os 30 minutos a uma hora” e a tendência é de “continuar os atrasos e os constrangimentos”, avisou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil.

“Temos cancelamentos [do Aeroporto Internacional] de Genebra [Suíça] e do [Aeroporto] Paris Charles de Gaulle [França]” e “temos também o cancelamento do voo da hora de almoço [12h30] da Brussels Airlines [Bélgica]”, disse Fernando Simões, acrescentando que para domingo, o último dia da paralisação, estão “confirmados” os cancelamentos dos “dois voos da Brussels Airlines”.

A ANA diz que a paralisação “apresenta hoje, até ao momento, um impacto reduzido na operação das companhias aéreas assistidas pela Portway no Aeroporto Humberto Delgado. Nos aeroportos do Porto, Faro e Funchal os impactos não são, até ao momento, assinaláveis”.

No site da ANA, onde é possível acompanhar em tempo real a actualização das horas das partidas e chegadas, a gestora aeroportuária deixa um aviso aos passageiros, alertando-os para o facto de a paralisação estar a provocar nestes três dias “alguns constrangimentos na operação das companhias aéreas assistidas pela Portway”, sugerindo aos viajantes que contactem as transportadoras ou os seus representantes para obterem mais informações.

“Apreensão” com carregamentos

Para além dos cancelamentos, o sindicalista afirma haver relatos de que, desde sexta-feira, “há comandantes a fazer folhas de carregamento [de bagagem] à mão, estando esses comandantes a assumir a responsabilidade que devia ser do departamento de load control [controlo de carga] da Portway”.

No primeiro dia da paralisação, o mesmo dirigente dizia à RTP que o protesto poderia ter impacto nos check-in, no embarque e desembarque dos passageiros, assim como na “rotação” das aeronaves e nas entregas de bagagens.

À Lusa, reforçou: “Quando o carregamento não é bem feito pode passar por muitas vertentes. Uma trimagem [a trimagem da aeronave garante que a mesma possa ter um voo recto e nivelado] mal feita pode dar dificuldades no seu voo, pode dar instabilidade da aeronave, pode dar um sem-fim de cenários que é melhor nós nem pensarmos neles”. Tudo o que entra para uma aeronave — seja passageiros, combustível, correio e ou bagagens — tem de ser “contabilizado de forma muito específica para que sejam asseguradas todas as regras de segurança que são impostas ao sector”, explicou.

Fernando Simões referiu que o Sintac tem “muitas reservas e muita apreensão sobre a forma e a maneira como estão a ser efectuados os carregamentos”, que estão a ser feitos “na forma do ‘desenrasca’ sem ter os procedimentos de segurança que deveriam estar a ser cumpridos”.

Quando anunciou o protesto, o sindicato alegou que a empresa “começou a cortar abonos sociais e direitos adquiridos por todos os seus trabalhadores ao longo de 20 anos, não reconhecendo assim todo o esforço dos trabalhadores ao longo dos anos, e tudo isto com um único objectivo: não baixar os seus lucros a fim de poder encher ainda mais os cofres do grupo Vinci”.