Baixo Guadiana Transfronteiriço: um rio, um território a descobrir!

Testemunha silenciosa de séculos de história, o troço inferior do Guadiana constitui a coluna vertebral de uma paisagem surpreendente onde convivem dois países, e se partilham afinidades, tradições e um património natural de valor excepcional.

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Até desaguar no Oceano Atlântico, entre Vila Real de Santo António (Portugal) e Ayamonte (Espanha), o rio Guadiana serpenteia ao longo de mais de 860 quilómetros, desde as Lagunas de Ruidera, na região espanhola de Castilla - La Mancha, onde nasce a 868 metros de altitude. O Grande Rio do Sul, como é ternamente apelidado, constitui a quarta maior bacia hidrográfica da Península Ibérica e uma das mais amplas que os dois países repartem.

Com a abertura das fronteiras em 1995, a relação luso-espanhola aprofundou-se em quase todas as áreas temáticas e regiões raianas. Sanlúcar de Guadiana e Alcoutim, duas pequenas localidades ribeirinhas, têm, porém, elevado os conceitos de cooperação para níveis difíceis de encontrar noutras paragens.

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Entre a biodiversidade local, incluem-se algumas espécies de fauna e flora raras e ameaçadas a nível global, como o Lince-ibérico e o Saramugo (um pequeno peixe exclusivo desta bacia hidrográfica), a par de aves como os flamingos ou o Guarda-rios, cuja plumagem não deixa ninguém indiferente. ODIANA

Frente a frente, a um rio de distância, estas localidades têm vindo a potenciar a sua herança milenar comum e espelham bem o sentimento de como um rio pode unir duas comunidades, separadas, ao longo da história, por conveniências de outra ordem que, no quotidiano, lhes são indiferentes.

Ponto nevrálgico do Baixo Guadiana, aqui podemos passar a fronteira, literalmente, “a salto”. Outrora sinónimo da passagem ilegal da fronteira (para contrabandear produtos de consumo), o termo poderá aplicar-se hoje a uma experiência ímpar entre dois países: deslizar 720 metros sobre um rio, de uma margem para outra, na única tirolesa transfronteiriça do mundo!

Quem não tiver audácia para tanto, poderá, contudo, optar, pelas frequentes passagens de barco ou por uma travessia a pé, percorrendo a ponte flutuante que é instalada, anualmente, durante os dias do Festival do Contrabando. Há, portanto, poucos locais que nos dêem tanto de dois países distintos…

Cultura e natureza, ao ritmo do Guadiana

As qualidades do litoral, junto à foz do Guadiana, são sobejamente conhecidas e reconhecidas, seja em Vila Real de Santo António ou Ayamonte, não fosse no litoral adjacente a estas cidades que encontramos das mais extensas e aprazíveis praias ibéricas, lado a lado com um património riquíssimo que tanto nos adoça os olhos e o palato, como enriquece o espírito.​

PÚBLICO - Do Rosal de la Frontera a Isla Cristina, de Serpa a Vila Real de Santo António, a região do Baixo Guadiana Transfronteiriço compreende uma área de 175 000 hectares para usufruir de um património natural singular, que levou à classificação de uma rede de 8 espaços naturais protegidos de importância comunitária.
Do Rosal de la Frontera a Isla Cristina, de Serpa a Vila Real de Santo António, a região do Baixo Guadiana Transfronteiriço compreende uma área de 175 000 hectares para usufruir de um património natural singular, que levou à classificação de uma rede de 8 espaços naturais protegidos de importância comunitária. ODIANA
PÚBLICO - No Baixo Guadiana, ainda podemos encontramos cursos de água vivos, plenos de vigor ecológico e selvagens, mas também ambientes como montados, matagais mediterrânicos e marismas, que conservam alguns dos habitats naturais e semi-naturais mais relevantes da Europa.
No Baixo Guadiana, ainda podemos encontramos cursos de água vivos, plenos de vigor ecológico e selvagens, mas também ambientes como montados, matagais mediterrânicos e marismas, que conservam alguns dos habitats naturais e semi-naturais mais relevantes da Europa. ADPM
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PÚBLICO - Navegável entre a foz e a aldeia do Pomarão, um antigo entreposto fluvial por onde se escoava o minério da Mina de São Domingos (Mértola), o curso principal do rio permite experiências náuticas, com embarcações de pequena e média dimensão, para quem procura a maior serenidade num cenário de elevada beleza paisagística.
Navegável entre a foz e a aldeia do Pomarão, um antigo entreposto fluvial por onde se escoava o minério da Mina de São Domingos (Mértola), o curso principal do rio permite experiências náuticas, com embarcações de pequena e média dimensão, para quem procura a maior serenidade num cenário de elevada beleza paisagística. ODIANA
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É, contudo, à escala da bacia do Baixo Guadiana Transfronteiriço que tudo se conjuga para, numa feliz coincidência, proporcionar um sem fim de actividades de lazer e conhecimento. Seja qual for a opção - turismo de observação, de natureza e aventura, de fronteira, náutico, cultural e arquitectónico ou gastronómico - estamos num território com as mais amplas possibilidades para proporcionar programas inesquecíveis, ajustáveis tanto a famílias como a aventureiros solitários. Tão variáveis quanto o ritmo do rio, estejamos na aparente tranquilidade de Puerto de La Laja ou no Pulo do Lobo, onde o Guadiana concentra toda a sua impetuosidade numa espectacular queda de água.

De Mértola a Castro Marim, de Santa Bárbara de Casa a El Granado, uma rede de percursos pedestres dão vista privilegiada para cenários incríveis, onde se destaca naturalmente o curso principal do rio Guadiana. Percorrer a Grande Rota do Guadiana ou a Vía Verde del Guadiana que o acompanha a espaços, constitui mais de 100 quilómetros de motivos e oportunidades para conhecer, a pé, de bicicleta de montanha ou a cavalo, uma região extraordinária, com as suas gentes, os seus locais históricos e monumentos, e os seus recursos ambientais.

Palácios e casas senhoriais, conventos e igrejas, castelos e fortalezas, são registos de um passado que marcam, de forma abundante, a paisagem de hoje. Mas parte desta história terá iniciado, precisamente, em recursos menos visíveis, como sejam, o sal do estuário e o minério que o rio permitia escoar. Estes produtos justificaram, em grande medida, a fixação dos primeiros homens e a exploração das restantes riquezas que o Baixo Guadiana foi tendo para oferecer.

Antas, menires e outros monumentos megalíticos, são testemunhos abundantes de uma presença humana ancestral, à qual sucederam outros povos comuns aos dois lados da fronteira. Fenícios, Romanos, Árabes, aqui aportaram e se estabeleceram ao longo de séculos, deixando para trás elementos culturais que subsistem até hoje nos usos e nos costumes das gentes locais. Há, neste território, todo um mundo de estórias por contar...

Entre percursos pedestres e estruturas museológicas, percorramos os caminhos do conhecimento e vibremos com a herança dos povos que habitaram estas terras, onde podemos usufruir igualmente das tradições e dos costumes de hoje, bem como da sua gastronomia, que muito deve ao mediterrâneo e às suas “ervas de cheiro”. É, portanto, o sal, o sol e o sul, numa união perfeita de elementos, que tornam este território, além de sensível, muito, mas muito especial.

Visite cada um dos municípios da bacia do Baixo Guadiana Transfronteiriço, em Espanha, em Portugal, ou em ambos. Sinta-se, desde já, convidado!

Campanha promovida no âmbito do Projeto VALAGUA – Valorização Ambiental e Gestão Integrada da Água e dos Habitats no Baixo Guadiana Transfronteiriço (POCTEP 0007-VALAGUA-5-P) e co-financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FEDER através do Programa Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.​

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