Em Arcos de Valdevez o vira roda todos os domingos, quer “chova ou faça sol”

Em Arcos de Valdevez, as tardes de domingo são passadas nas ruas do centro da vila, em roda, ao som da concertina, das castanholas e do reco-reco, bailando-se o vira durante “horas seguidas”, “quer chova, quer faça sol”.

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O movimento espontâneo começou “tímido” há quase década e meia. Nos últimos anos, ganhou dimensão e atrai dezenas de pessoas, não só de Arcos de Valdevez como dos concelhos vizinhos do distrito de Viana do Castelo, de Braga e até da Galiza.

São designadas por rodas porque no centro ficam os tocadores de concertina a que se juntam os bailarinos, dançando em círculo, aos pares. A roda vai crescendo à medida que novos pares se juntam, ao ritmo do marcador, o dançarino que vai indicando os passos e o sentido que a roda deve tomar.

O “gosto” pelo folclore e a “alegria” que o convívio proporciona junta pessoas de todas as idades ao som das Chulas e das melodias da Cana Verde, das mais antigas danças populares das aldeias do Alto Minho.

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É uma alegria total, não há dores que me cheguem”, diz Fernando Viana, que aos 78 anos encontrou nas rodas que se realizam nas 52 semanas do ano, espontaneamente, a forma de ocupar a solidão.

Viúvo há um ano e com os filhos criados - um emigrante no Canadá, outro a residir em Vila do Conde (Porto) -, Fernando Viana não perde uma roda. “Gosto imenso. Danço durante horas todos os domingos”, afirmou.

No seio das rodas já se fizeram casamentos, nasceram novas amizades e curam-se as “maleitas” da idade. “É um divertimento, mas também uma fisioterapia”, confessa Leonor Nogueira. A doméstica de 71 anos é uma das impulsionadoras do movimento que nasceu há cerca de 14 anos quando desafiou José Monteiro, o amigo tocador de concertina e cantador ao desafio.

Arcos de Valdevez, uma porta para o barroco e para o Alto Minho

“Começou por ser brincadeira, num grupinho”, para se transformar numa roda “enorme”, com “gente de todo o lado” e durante “todo o ano, quer chova, quer faça sol”. “Dançam a tarde toda.” No Inverno, como “escurece mais cedo”, dura até cerca das 19h, mas no Verão “só o cansaço vence tocadores, cantadores e bailarinos”, pondo termo à festa que acontece em pleno Campo do Trasladário.

Não saber dançar não serve de desculpa para ficar fora da roda: “Quem não sabe, aprende aqui”, atira José Monteiro, de 79 anos. O tocador de concertina não troca as rodas por outra forma de lazer e mesmo quando ainda trabalhava, como motorista de camiões internacionais, aproveitava “todos os bocadinhos” para tocar e cantar ao desafio. “Gosto disto. Quando estou aqui estou sempre bem”, observou.

José e Leonor nunca pensaram que a “brincadeira” iniciada há 14 anos ganhasse a dimensão que hoje tem. A Câmara de Arcos de Valdevez vai apoiando os pedidos dos organizadores, interessada em “preservar as tradições” e atenta ao impacto que as rodas têm hoje na animação local.

A dimensão do movimento espontâneo justificou, desde há uns anos, a integração no programa das festas em honra de Nossa Senhora da Lapa. Em Agosto, transformam-se num dos números emblemáticos daquela romaria. Durante as festas, “as rodas mudam de local”, tomam conta da principal avenida da vila e desfilam, durante horas, juntando “a população, os emigrantes e visitantes”.

De Arcos de Valdevez a tradição passou para o município vizinho de Ponte da Barca, a apenas quatro quilómetros de distância. Ali o vira dançado em roda acontece aos sábados e domingos no Largo do Curro, onde a câmara também mandou instalar uma tenda para resguardar dançarinos e tocadores. Também em Ponte da Barca, a roda que acontece todo o ano muda, em Agosto, com a Romaria de São Bartolomeu, engrossando com a chegada dos emigrantes.

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