Os rivais do Liverpool já nem aparecem no retrovisor

Líder incontestado da Premier League reforçou o estatuto, com uma goleada em casa do segundo classificado.

Firmino no lance que terminou no terceiro golo do jogo
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Firmino no lance que terminou no terceiro golo do jogo Reuters/ANDREW YATES

Há 1001 maneiras de atestar o poderio actual do Liverpool mas a mais recente é esta: o campeão europeu tornou-se nesta quinta-feira na primeira equipa a vencer, nesta temporada, no King Power Stadium. Em casa de um Leicester City que surpreendentemente se tornou no rival mais próximo dos “reds” na tabela, a equipa de Jürgen Klopp deu mais uma lição de futebol, ao subjugar o adversário com uma goleada (0-4). Com prego a fundo na estrada da Premier League, o actual campeão mundial já saiu do horizonte da concorrência directa.

Um jogo a menos e 13 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Uma distância que faz jus à tremenda qualidade e intensidade que o Liverpool coloca em campo e que nesta quinta-feira o Leicester City não foi capaz de contrariar, por muito que a equipa de Brendan Rodgers tenha sido fiel ao seu ideário.

Mesmo depois da epopeia do Mundial de clubes, com uma longa viagem de regresso a Inglaterra pelo meio, os “reds” nunca tiraram o pé do acelerador. Entraram a todo o gás, no habitual 4x3x3, e só não se colocaram em vantagem nos minutos iniciais porque nem Sadio Mané, nem Mohamed Salah estavam inspirados no momento da finalização.

Forte na reacção à perda, com um bloco alto e uma primeira linha de pressão em cima da área contrária, o Liverpool criou várias situações de apuro diante de um rival que tentou sair quase sempre a jogar em apoio. Nem sempre definiu bem, mas tem hoje um leque de soluções de tal ordem, em ataque organizado e em transição, que cedo se percebeu que era apenas uma questão de tempo até à chegada do primeiro golo. 

Esse momento ficou reservado para os 31’, com Roberto Firmino a concluir de cabeça um cruzamento perfeito de Alexander-Arnold, um lateral no pico de forma. E o Leicester ainda estudava o melhor caminho para a baliza de Alisson quando, num contragolpe, Mané surgiu isolado, pronto para o 0-2, acabando por ver Schmeichel a brilhar, com uma defesa de recurso. 

Em 4x1x4x1, o Leicester sentia dificuldades em libertar-se de um colete-de-forças que tinha em Keita o expoente máximo. Uma lógica que se manteve num segundo tempo de sentido único, com as dúvidas a acabarem quando James Milner converteu o 13.º dos 14 penáltis que já marcou ao serviço do Liverpool (a castigar mão do central Söyüncü na área). KO aos 71’.

Com o adversário no tapete, os “reds” aceleraram para a goleada, materializada nesse período fatídico de entre os 70 e os 80 minutos. Aos 74’, Firmino concluiu a melhor jogada colectiva do encontro, com uma frieza e uma classe ao alcance de muito poucos; aos 78’ Alexander-Arnold colheu o prémio de mais uma exibição de gala, com um remate cruzado, na passada, que prova que é cada vez mais influente na manobra ofensiva da equipa.

Contas feitas, são já 52 pontos somados em 54 possíveis e uma série alucinante de triunfos e exibições, em diferentes competições, que levam os fiéis adeptos do Liverpool a acreditar que o jejum de campeonatos que dura desde 1989-90 pode mesmo, desta vez, chegar ao fim. Ainda que haja um longo caminho a percorrer e um historial de dissabores de última hora que desaconselha euforias antecipadas.