Opositor de Putin raptado e enviado para uma base no Árctico

Ruslan Shaveddinov, gestor de projecto na Fundação Anti-Corrupção de Alexei Navalny, foi levado de sua casa para a base de Novaya Zemlya onde terá de cumprir um ano de serviço militar.

Ruslan Shaveddinov, a ser detido durante uma manifestação em Moscovo, em 2017
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Ruslan Shaveddinov, a ser detido durante uma manifestação em Moscovo, em 2017 Evgeny Feldman/Reuters

Alexei Navalni, o principal opositor ao Presidente russo, Vladimir Putin, acusou esta quarta-feira as autoridades da Rússia de rapto e prisão ilegal de um dos seus colaboradores na Fundação Anti-Corrupção.

Ruslan Shaveddinov tinha desaparecido na segunda-feira do seu apartamento em Moscovo e levado para parte incerta. Foi o próprio que anunciou onde estava na terça-feira, quando pediu emprestado um telemóvel para telefonar desde a base aérea de Novaya Zemlya (Nova Zembla), numa zona remota do Árctico, onde terá agora de cumprir um ano de serviço militar obrigatório.

O gestor de projectos da Fundação Anti-Corrupção foi alvo de uma operação militar que não lhe deixou qualquer capacidade de resposta para impedir os acontecimentos. Primeiro cortaram-lhe a electricidade, logo a seguir derrubaram a porta do apartamento e depois levaram-no. O cartão SIM do seu telemóvel foi desactivado remotamente, impedindo a sua localização.

Shaveddinov, que entrara com um pedido de suspensão do seu recrutamento por motivos médico, vai agora ter de cumprir o serviço militar obrigatório em Novaya Zemlya, sem possibilidade de comunicar com o exterior. Não só é-lhe interdito possuir um telemóvel, como estará sempre acompanhado por um soldado com ordens para o seguir para todo o lado.

“Servir no exército transformou-se numa forma de prender as pessoas”, escreveu Navalni nas redes sociais. Os advogados da fundação vão tentar contestar o recrutamento de Shaveddinov alegando que terá sido raptado e preso ilegalmente.

Novaya Zemlya, que quer dizer Terra Nova em russo, é um arquipélago com duas grandes ilhas e pouco mais de dois mil habitantes que durante a Guerra Fria era considerada uma zona militar sensível para a União Soviética. A maior explosão nuclear alguma vez registada aconteceu aí a 30 de Outubro de 1961.

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