Ministro do Ambiente sugere mudar aldeias de sítio, autarca de Montemor diz que será difícil

“As aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio”, defende João Pedro Matos Fernandes. Presidente da câmara de Montemor-o-Velho não discorda da ideia, mas duvida que seja concretizável.

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As áreas ribeirinhas do concelho de Montemor-o-Velho foram as mais atingidas pelas cheias no Mondego LUSA/PAULO CUNHA

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, disse na segunda-feira em declarações ao Jornal 2 da RTP que as aldeias ribeirinhas da zona Centro devem ponderar mudar de localização. A afirmação é feita na sequência da subida da água no Mondego como efeito das depressões Elsa e Fabian, que obrigaram à retirada populações por precaução na zona de Montemor-o-Velho.

“Vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. As aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio porque não esperamos que esta capacidade que temos possa vir a crescer. Isso é o contrário da adaptação”, afirmou o ministro, que elogiou os trabalhos de manutenção que têm sido feitos nos diques, sustentando que sem os mesmos poderia ter ocorrido uma tragédia naquela zona.

Entretanto, Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, admitiu à TSF que esta ideia do ministro do Ambiente de deslocalizar aldeias seria uma solução ideal, mas argumentou que seria difícil de levar a cabo.

“Essa era uma solução ideal, mas eu tenho muita dificuldade em tirar as pessoas de casa, mesmo em vias de acontecer uma catástrofe. Essa é daquelas soluções que, muito dificilmente, poderão ter uma implementação prática no imediato. Aquilo que hoje podemos resolver são medidas de prevenção contra este tipo de alterações climáticas e só mesmo em ultima ratio deslocalizar essas aldeias ou essas zonas”, afirmou.

O autarca reconhece que “com as alterações climáticas, cada vez vão sendo mais fortes os fenómenos de aguaceiros e de inundação, que obrigarão num futuro não imediato a que estas pessoas sejam sensibilizadas a deslocalizar as suas habitações”.

No concelho de Albergaria-a-Velha ainda continuam muitas estradas municipais cortadas Adriano Miranda/Público
Remadores movimentam barcos do Centro Náutico de Montemor-o-Velho Lusa/PAULO NOVAIS
O rio Vouga galgou as margens cortando estradas municipais e a A25 Adriano Miranda/Público
Terrenos agrícolas junto ao Rio Vouga em Cacia Adriano Miranda/Público
São vários os prejuizos nos acessos aos terrenos agrícolas Adriano Miranda/Público
A estrada que liga Cacia a Angeja continua cortada Adriano Miranda/Público
O parque de madeiras da fábrica Navigator em Cacia ficou inundado Adriano Miranda/Público
Pela manhã começaram as limpezas Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Foram vários os populares que esta manhã vieram ver os estragos Adriano Miranda/Público
Largo de Angeja Adriano Miranda/Público
Muitas estradas ficaram danificadas com a força da água Adriano Miranda/Público
Os terrenos agrícolas continuam submersos Adriano Miranda/Público
A subida da água em Formoselha Sérgio Azenha
Casas e estruturas agrícolas cobertas de água, em Ceira LUSA/PAULO NOVAIS
Sérgio Azenha
Sérgio Azenha
Uma viatura coberta de água devido à subida do rio Ceira, distrito de Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS
Militares da GNR ajudam uma condutora numa viatura avariada, em Formoselha LUSA/PAULO NOVAIS
A subida do nível da água do rio Ceira, em Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS
Madeira arrastada pela água presa numa antiga ponte LUSA/PAULO NOVAIS
O parque verde do Mondego coberto de água, em Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS
O parque verde do Mondego coberto de água, em Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS
Casas e estruturas agrícolas cobertas de água, em Ceira LUSA/PAULO NOVAIS
Casas e estruturas agrícolas cobertas de água, em Ceira LUSA/PAULO NOVAIS
Casas e estruturas agrícolas cobertas de água, em Ceira LUSA/PAULO NOVAIS
Casas e estruturas agrícolas cobertas de água, em Ceira LUSA/PAULO NOVAIS
Ciclistas observam uma estratada inundada Lusa/PAULO NOVAIS
Campos do Baixo Mondego inundados pela água do rio Mondego LUSA/PAULO NOVAIS
Um condutor inverte a marcha na estrada entre Tentúgal e Figueira da Foz LUSA/PAULO NOVAIS
Os bombeiros tentam perceber o nível das águas nos campos inundados em Montemor-o-Velho Lusa/PAULO NOVAIS
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Contactado pelo PÚBLICO, fonte do gabinete do Ministério do Ambiente disse que a deslocalização de aldeias que se encontram em zonas ribeirinhas não é uma ideia de agora e tem sido falada ao longo dos anos, mas sublinhou que não é algo para concretizar de imediato, e antes para ser avaliado no futuro.

Ambientalistas e engenheiros criticam falta de manutenções dos diques

Para a associação ambientalista Quercus os trabalhos de desassoreamento de 2018 foram uma das causas para o colapso dos diques. A Quercus diz que as areias foram mal colocadas e que com a movimentação das águas teve um efeito abrasivo e erosivo sobre os diques.

Também a Ordem dos Engenheiros criticou o estado destas estruturas de defesa, denunciando falta de manutenção e obras inacabadas.

Água começa “a baixar muito lentamente"

Entretanto, a situação de cheia no Vale do Mondego começou esta terça-feira a estabilizar, com o nível da água a baixar, mas “muito lentamente”, como também afirmou o presidente da câmara de Montemor-o-Velho.

A Estrada Nacional 111, junto a Tentúgal, continua cortada e sem previsão para reabrir. 

Também o serviço ferroviário entre Coimbra e Figueira da Foz continua interrompido devido ao nível das águas no troço entre Alfarelos e Verride. Só depois do Natal é que a CP espera reiniciar a ligação.