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Os retratos dos protestos que abalaram o mundo em 2019: “Por favor, não desistam”

Alex Munoz Fuentes, contabilista de 47 anos, com uma bandeira chilena, em Santiago. "As pessoas estão cansadas de injustiça. Eu não quero nada dado... mas sei que as instituições do Chile, a lei e a Constituição estão feitas de forma a ser possível abusar das classes trabalhadoras. Eu quero um novo acordo. Em Hong Kong, é semelhante, as autoridades não estão a pensar no bem-estar das pessoas... mando-lhes um abraço fraternal e toda a solidariedade. Por favor, não desistam", disse. Jorge Silva/Reuters
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Alex Munoz Fuentes, contabilista de 47 anos, com uma bandeira chilena, em Santiago. "As pessoas estão cansadas de injustiça. Eu não quero nada dado... mas sei que as instituições do Chile, a lei e a Constituição estão feitas de forma a ser possível abusar das classes trabalhadoras. Eu quero um novo acordo. Em Hong Kong, é semelhante, as autoridades não estão a pensar no bem-estar das pessoas... mando-lhes um abraço fraternal e toda a solidariedade. Por favor, não desistam", disse. Jorge Silva/Reuters

Contra a corrupção e as elites enraizadas; pela democracia e pela independência; pela crise climática. 2019 foi o ano das rebeliões. Por todo o mundo, estalaram protestos e ressaltaram frustrações — algumas semelhantes, como a luta pela igualdade e pela justiça. Alguns foram pacíficos, outros nem tanto — como é o caso do Irão e Iraque, onde centenas de pessoas foram mortas pelas forças de segurançaMas por entre as nuvens de gás, cresceu uma onda de solidariedade que liga todos os aqueles que saem à rua por uma causa. E os fotógrafos da Reuters captaram alguns dos rostos destas lutas e registaram o que une os manifestantes de diferentes pontos do globo.

"O que está a acontecer no nosso país, estas injustiças que geram desigualdade, são as mesmas injustiças que destroem o planteta", disse à agência de notícias Andres Felipe Vargas, um professor que se juntou aos protestos contra o Governo colombiano. No Chile, foi o preço do bilhete do metro; na Índia, o da cebola; no Líbano, o imposto sobre as chamadas do Whatsapp. Na Argélia e em Hong Kong, a luta pela democracia. Na Bolívia, os resultados eleitorais. "As pessoas estão cansadas de injustiças", atirou Alex Munoz Fuentes, contabilista de 47 anos, que a Reuters encontrou a protestar numa das ruas de Santiago, no Chile. Para Hong Kong, enviou um "abraço fraterno". "Por favor, nunca desistam."

Ronnie, 27 anos, trabalha num escritório em Hong Kong. Exige sufrágios universais e transparentes para os líderes das cidades e representantes dos concelhos. "Cinco exigências, nem uma menos. Não é apenas um slogan, mas uma causa pela qual vamos lutar até ao fim", disse. Ronnie quer expressar a mensagem de que os direitos humanos e democracia são valores fundamentais que precisam de ser defendidos a todo o custo.
Ronnie, 27 anos, trabalha num escritório em Hong Kong. Exige sufrágios universais e transparentes para os líderes das cidades e representantes dos concelhos. "Cinco exigências, nem uma menos. Não é apenas um slogan, mas uma causa pela qual vamos lutar até ao fim", disse. Ronnie quer expressar a mensagem de que os direitos humanos e democracia são valores fundamentais que precisam de ser defendidos a todo o custo. Tyrone Siu/Reuters
Jasper, 27 anos, trabalha num banco em Hong Kong: "Esta é uma exigência universal por democracia e justiça." Jasper juntou-se a um protesto durante a pausa para o almoço. Como muitos manifestantes, Jasper recusou-se a dar o seu sobrenome e usou uma máscara para preservar a sua identidade. "Todos os países enfrentam a mesma situação. Isto não vai ser um caminho fácil, mas todos sabemos que estamos a fazer a coisa certa."
Jasper, 27 anos, trabalha num banco em Hong Kong: "Esta é uma exigência universal por democracia e justiça." Jasper juntou-se a um protesto durante a pausa para o almoço. Como muitos manifestantes, Jasper recusou-se a dar o seu sobrenome e usou uma máscara para preservar a sua identidade. "Todos os países enfrentam a mesma situação. Isto não vai ser um caminho fácil, mas todos sabemos que estamos a fazer a coisa certa." Shannon Stapleton/Reuters
Axel Buxade, estudante de 18 anos, com uma bandeira da Catalunha, durante um protesto em Barcelona, Espanha: "Estamos aqui, principalmente pessoas jovens, furiosas com as declarações e a incapacidade de os políticos falarem", disse. "Já existiram actos de apoio mútuo, se eles atingirem o seu objectivo ficaremos muito felizes", disse, referindo-se a Hong Kong.
Axel Buxade, estudante de 18 anos, com uma bandeira da Catalunha, durante um protesto em Barcelona, Espanha: "Estamos aqui, principalmente pessoas jovens, furiosas com as declarações e a incapacidade de os políticos falarem", disse. "Já existiram actos de apoio mútuo, se eles atingirem o seu objectivo ficaremos muito felizes", disse, referindo-se a Hong Kong. Rafael Marchante/Reuters
Paola Correa, artista de 37 anos, numa greve nacional em Bogotá, na Colômbia. "Eu saio à rua porque estou segura de que as manifestações podem gerar as transformações políticas e sociais que este país precisa", apontou. "Na realidade, não protesto por mim. Protesto por pessoas de outras raças, pelo povo, pelos desaparecidos. Há muitas formas de apoiar os protestos, há pessoas que não saem às ruas porque têm medo. Mas todos podemos fazer a diferença: na forma como tratamos os outros — isso também é uma mudança e acontece nos momentos mais profundos das nossas vidas."
Paola Correa, artista de 37 anos, numa greve nacional em Bogotá, na Colômbia. "Eu saio à rua porque estou segura de que as manifestações podem gerar as transformações políticas e sociais que este país precisa", apontou. "Na realidade, não protesto por mim. Protesto por pessoas de outras raças, pelo povo, pelos desaparecidos. Há muitas formas de apoiar os protestos, há pessoas que não saem às ruas porque têm medo. Mas todos podemos fazer a diferença: na forma como tratamos os outros — isso também é uma mudança e acontece nos momentos mais profundos das nossas vidas." Luisa Gonzalez/Reuters
Andres Felipe Vargas, professor de 52 anos, durante uma greve nacional em Bogotá, Colômbia: "O Governo que está actualmente no poder é um Governo de extrema-direita que quer tirar-nos cada vez mais direitos... é um Governo que apenas encoraja desigualdade, é o terceiro país mais desigual do mundo", disse. "Ao longo da história, já vimos que algumas coisas não acontecem só porque sim, as coisas mudam com as revoluções... com a Revolução Francesa, com a Revolução Industrial. Neste momento, estamos a acordar e temos de tirar vantagem disso."
Andres Felipe Vargas, professor de 52 anos, durante uma greve nacional em Bogotá, Colômbia: "O Governo que está actualmente no poder é um Governo de extrema-direita que quer tirar-nos cada vez mais direitos... é um Governo que apenas encoraja desigualdade, é o terceiro país mais desigual do mundo", disse. "Ao longo da história, já vimos que algumas coisas não acontecem só porque sim, as coisas mudam com as revoluções... com a Revolução Francesa, com a Revolução Industrial. Neste momento, estamos a acordar e temos de tirar vantagem disso." Luisa Gonzalez/Reuters
Hiba Ghosn, 36 anos, trabalha na indústria da moda. "Eles são ladrões, todos e cada um deles. Andam a roubar-nos há 30 anos", disse, durante uma manifestação em Beirute, no Líbano. "Acho que vai demorar muito tempo para chegar lá, mas vamos conseguir. Acordámos o dragão. Globalmente, as pessoas estão fartas. E acho que estão a exigir os seus direitos básicos."
Hiba Ghosn, 36 anos, trabalha na indústria da moda. "Eles são ladrões, todos e cada um deles. Andam a roubar-nos há 30 anos", disse, durante uma manifestação em Beirute, no Líbano. "Acho que vai demorar muito tempo para chegar lá, mas vamos conseguir. Acordámos o dragão. Globalmente, as pessoas estão fartas. E acho que estão a exigir os seus direitos básicos." Andres Martinez Casares/Reuters
Umm Mahdi, 66 anos, num protesto contra o Governo em Bagdá, no Iraque: "Venho protestar pelos direitos e contra a ilegitimidade. O Governo não é legítimo, não há empregos, casas, serviços e os manifestantes têm uma boa causa. Eu tenho que estar com eles porque sou como uma mãe para eles", disse Mahdi. "Se o Governo nos der trabalho, casa e serviços, os jovens não estariam a protestar e a sacrificar as suas vidas. A minha mensagem para os manifestantes é: "Estou com vocês até ao último dia da minha vida. Eu apoio-vos. Mantenham os vossos protestos pacíficos até conseguirem os vossos direitos", continuou. "Não vou desistir de participar nestes protestos até que todos os jovens consigam os seus direitos. Quem se manifesta, fá-lo porque já foi oprimido."
Umm Mahdi, 66 anos, num protesto contra o Governo em Bagdá, no Iraque: "Venho protestar pelos direitos e contra a ilegitimidade. O Governo não é legítimo, não há empregos, casas, serviços e os manifestantes têm uma boa causa. Eu tenho que estar com eles porque sou como uma mãe para eles", disse Mahdi. "Se o Governo nos der trabalho, casa e serviços, os jovens não estariam a protestar e a sacrificar as suas vidas. A minha mensagem para os manifestantes é: "Estou com vocês até ao último dia da minha vida. Eu apoio-vos. Mantenham os vossos protestos pacíficos até conseguirem os vossos direitos", continuou. "Não vou desistir de participar nestes protestos até que todos os jovens consigam os seus direitos. Quem se manifesta, fá-lo porque já foi oprimido." Thaier al-Sudani/Reuters
Amiri Yacine, estudante de 26 anos, em Argel, na Argélia: "Estou a protestar contra a injustiça e a ditadura", disse. "As pessoas estão a protestar por todo o mundo. No Líbano, Iraque, Chile, França, Hong Kong e Haiti, por causa da injustiça e corrupção." Yacine, que se juntou a manifestações desde Fevereiro, em oposição à elite que controla a Argélia desde 1962, sente que as suas exigências são universais. "Queremos uma nova Argélia. Queremos liberdade de imprensa e respeito pelos direitos humanos. Queremos também empregos e infra-estruturas", disse o estudante. "A minha mensagem para os manifestantes é que se mantenham pacíficos — sejam inteligentes e mantenham-se calmos. Lutem contra o sistema com boas ideas porque eles não têm boas ideias."
Amiri Yacine, estudante de 26 anos, em Argel, na Argélia: "Estou a protestar contra a injustiça e a ditadura", disse. "As pessoas estão a protestar por todo o mundo. No Líbano, Iraque, Chile, França, Hong Kong e Haiti, por causa da injustiça e corrupção." Yacine, que se juntou a manifestações desde Fevereiro, em oposição à elite que controla a Argélia desde 1962, sente que as suas exigências são universais. "Queremos uma nova Argélia. Queremos liberdade de imprensa e respeito pelos direitos humanos. Queremos também empregos e infra-estruturas", disse o estudante. "A minha mensagem para os manifestantes é que se mantenham pacíficos — sejam inteligentes e mantenham-se calmos. Lutem contra o sistema com boas ideas porque eles não têm boas ideias." Ramzi Boudina/Reuters
Rese Domini, 31 anos, é activista da organização Haitian Equality Movement for Fraternity (MONEGAF), em Port au Prince, no Haiti: "Aqui, não somos tratados como humanos", disse Domini. "Não temos acesso a hospitais, escolas, universidades, comida, segurança ou infra-estruturas." E continou: "É por isso que é importante para que nos levantemos contra Jovenel Moses e que lhe exijamos que saia. Ele é um ladrão. Precisamos de um Governo que corresponda às nossas necessidades. Muitos locais estão a ser palco de protesto porque há exploração em todo o mundo."
Rese Domini, 31 anos, é activista da organização Haitian Equality Movement for Fraternity (MONEGAF), em Port au Prince, no Haiti: "Aqui, não somos tratados como humanos", disse Domini. "Não temos acesso a hospitais, escolas, universidades, comida, segurança ou infra-estruturas." E continou: "É por isso que é importante para que nos levantemos contra Jovenel Moses e que lhe exijamos que saia. Ele é um ladrão. Precisamos de um Governo que corresponda às nossas necessidades. Muitos locais estão a ser palco de protesto porque há exploração em todo o mundo." Valerie Baeriswyl/Reuters
Uma manifestante de 15 anos, apelidada de Liberty Girl God, e o seu namorado, conhecido como Little Brother, também de 15 anos, num protesto em Hong Kong. "Queremos que o Governo finalmente cumpra as nossas exigências e que faça mudanças rapidamente", disse Liberty Girl God. "Na minha opinião, os manifestantes de outros países querem as mesmas coisas que nós. Pode ser difícil de conseguir, mas acredito que vamos vencer."
Uma manifestante de 15 anos, apelidada de Liberty Girl God, e o seu namorado, conhecido como Little Brother, também de 15 anos, num protesto em Hong Kong. "Queremos que o Governo finalmente cumpra as nossas exigências e que faça mudanças rapidamente", disse Liberty Girl God. "Na minha opinião, os manifestantes de outros países querem as mesmas coisas que nós. Pode ser difícil de conseguir, mas acredito que vamos vencer." Danish Siddiqui/Reuters
Mohammad Anas Qureshi, vendedor de fruta de 20 anos, com a bandeira da Índia em frente a polícias de intervenção, durante um protesto contra uma nova lei de cidadania, em Deli. "A lei está contra os muçulmanos e a Índia. Vai dividir o país. Não vamos deixar que isso aconteça", referiu. "Penso que os manifestantes de todo o mundo estão a lutar pelos seus direitos. Esses manifestantes são nossos irmãos. Espero que Deus lhes dê forças para continuar a lutar."
Mohammad Anas Qureshi, vendedor de fruta de 20 anos, com a bandeira da Índia em frente a polícias de intervenção, durante um protesto contra uma nova lei de cidadania, em Deli. "A lei está contra os muçulmanos e a Índia. Vai dividir o país. Não vamos deixar que isso aconteça", referiu. "Penso que os manifestantes de todo o mundo estão a lutar pelos seus direitos. Esses manifestantes são nossos irmãos. Espero que Deus lhes dê forças para continuar a lutar." Danish Siddiqui/Reuters
Didier Baylac, com um colete amarelo durante o 56.º protesto contra a reforma das pensões do presidente francês Emmanuel Macron. "Manifesto-me por mais poder de compra", disse. "Estou aqui contra o aumento da violência levada a cabo pelas forças policiais na última manifestação. Os poderosos, os ricos, querem que acreditemos que vivemos num mundo encantado, que estamos protegidos e que não precisamos de nos preocupar com nada. Mas isto não é verdade: só os ricos estão protegidos. As outras pessoas é que sofrem. E todas as pessoas têm que se levantar e manifestar-se todos os sábados, para mostrar o que está errado com o nosso país. Sempre da forma mais pacífica possível."
Didier Baylac, com um colete amarelo durante o 56.º protesto contra a reforma das pensões do presidente francês Emmanuel Macron. "Manifesto-me por mais poder de compra", disse. "Estou aqui contra o aumento da violência levada a cabo pelas forças policiais na última manifestação. Os poderosos, os ricos, querem que acreditemos que vivemos num mundo encantado, que estamos protegidos e que não precisamos de nos preocupar com nada. Mas isto não é verdade: só os ricos estão protegidos. As outras pessoas é que sofrem. E todas as pessoas têm que se levantar e manifestar-se todos os sábados, para mostrar o que está errado com o nosso país. Sempre da forma mais pacífica possível." Benoit Tessier/Reuters
O bailarino Francisco Bustamante, 22 anos, segura um escudo — durante um protesto do Dia Nacional contra o Femicídio, em Santiago — onde se lê "resistência maricas". Bustamante disse estar a protestar "pela resistência dos dissidentes". "Não estaríamos a protestar se as coisas estivessem bem. As pessoas acordam e cada vez têm mais fogo dentro delas e isso faz-me feliz. Vamos continuar a fazer barulho. Não estamos sozinhos, não é uma luta apenas do nosso país, é por todo o mundo."
O bailarino Francisco Bustamante, 22 anos, segura um escudo — durante um protesto do Dia Nacional contra o Femicídio, em Santiago — onde se lê "resistência maricas". Bustamante disse estar a protestar "pela resistência dos dissidentes". "Não estaríamos a protestar se as coisas estivessem bem. As pessoas acordam e cada vez têm mais fogo dentro delas e isso faz-me feliz. Vamos continuar a fazer barulho. Não estamos sozinhos, não é uma luta apenas do nosso país, é por todo o mundo." Ivan Alvarado/Reuters
"Há injustiça", diz Rivera Zambrano, 67 anos, antigo produtor de coca e apoiante do presidente boliviano destituído de Evo Morales. "Este Governo está a vender a nossa terra. Ninguém os escolheu. As pessoas estão em vigília e não a vão suspender. Não queremos este presidente, queremos paz. Os governos anteriores não fizeram nada por nós, apenas o Governo de Evo Morales fez algo. Exigimos os nossos direitos."
"Há injustiça", diz Rivera Zambrano, 67 anos, antigo produtor de coca e apoiante do presidente boliviano destituído de Evo Morales. "Este Governo está a vender a nossa terra. Ninguém os escolheu. As pessoas estão em vigília e não a vão suspender. Não queremos este presidente, queremos paz. Os governos anteriores não fizeram nada por nós, apenas o Governo de Evo Morales fez algo. Exigimos os nossos direitos." Marco Bello/Reuters