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Milhares de presos e 16 mortos nos protestos contra lei da cidadania na Índia

Legislação põe em causa a Constituição indiana, dizem os críticos. Líderes do Partido do Congresso mobilizam-se também para protestar.

,Índia
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Protesto contra a lei de cidadania em Chennai P. Ravikumar/REUTERS

Pelo menos 16 pessoas morreram só no estado do Uttar Pradesh, na Índia, em protestos contra a polémica nova lei que confere direitos de cidadania a refugiados de várias religiões, mas não aos que sejam muçulmanos. Mais de 4000 manifestantes foram detidos e 1500 ficaram presos em todo o país nos últimos dez dias, em protestos muitas vezes violentos contra uma lei criticada por pôr em causa a secularidade da Constituição indiana.

O primeiro-ministro, Narendra Modi, reuniu o Governo neste sábado para discutir a situação, que representa o mais grave levantamento desde que o partido nacionalista hindu chegou ao poder, em 2014. Apesar da imposição do recolher obrigatório, e do corte da Internet em vários locais, os protestos têm continuado desde que a lei foi apresentada, sobretudo no Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia, onde têm existido muitos confrontos entre população muçulmana e hindu.

No estado de Assam, no Norte, somam-se os protestos contra uma legislação que na prática retirou a nacionalidade a quem não consiga provar que nasceu ali e não no vizinho Bangladesh. O resultado foi que dois milhões de pessoas ficaram privadas da nacionalidade.

A oposição a estas iniciativas legislativas tem incluído líderes de partidos regionais, e também nacionais – Sonia e Rahul Gandhi lideram este sábado um protesto silencioso do Partido do Congresso (na oposição) no memorial a Mahatma Gandhi, em Nova Delhi, diz o jornal Hindustan Times.

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Mulheres indianas protestam contra a legislação Anushree Fadnavis/REUTERS

Também neste sábado, organizações políticas hindus de extrema-direita, e cerca mil académicos hindus, expressaram apoio ao Parlamento e ao Governo pelo que classificaram como “uma lei progressista, que dá apoio a minorias esquecidas”. “Notamos com profunda angústia a atmosfera de medo e paranóia que está a ser criada no país, através de dissimulação deliberada e alarmismo”, escreveram as organizações numa declaração citada pela Reuters.

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