“Funchal militar”: nicho de turismo a crescer

O leitor Miguel Silva Machado leva-nos num passeio diferente pela Madeira, por bons exemplos do Roteiro do Turismo Militar da ilha.

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Depois de quase uma centena de metros nas entranhas do pico da Cruz que domina o Funchal, descendo por uma escadaria apertada, saímos para o ar livre e… uma vista espectacular sobre o oceano Atlântico, as ilhas Desertas e o anfiteatro natural onde se desenvolve a cidade. Esta vista é um dos trunfos do “turismo militar” que o Exército está a dinamizar. Além das escolas, tem outro público específico, maioritariamente anglo-saxónico mas que está a crescer em todo o mundo: os que gostam de história militar. Esta antiga Bataria de Artilharia de Costa aqui instalada em 1940 durante a Segunda Guerra Mundial para defender o porto e possíveis locais de desembarque inimigo manteve-se durante a Guerra Fria e esteve operacional até 1996. Está num estado de conservação excepcional.

Recebeu à superfície três peças Krupp de fabrico alemão, modelo 1898, calibre 15cm, e tem vários túneis com o necessário para ali se viver e combater. O actual Regimento de Guarnição n.º 3 do Exército preservou as armas e mais do que isso: são inúmeros os acessórios, desde aparelhos de pontaria a munições (desmilitarizadas), passando por mapas, camas, telefones, ferramentas e as próprias instalações subterrâneas, e ainda os observatórios também subterrâneos, mais acima, junto ao Pico.

Um quilómetro a norte, no Pico de São Martinho, outra bataria agora Artilharia Antiaérea foi instalada em 1942, também para defesa do Funchal. Está em adiantado estado de preparação para receber visitas. A vista espectacular e as quatro peças britânicas Vickers calibre 9,4 cm estiveram operacionais até 1969, agora também elas têm nova missão a cumprir!

O Roteiro do Turismo Militar da Madeira de que fazem parte estas duas pérolas do património histórico-militar aumenta assim a oferta que já inclui o Percurso Histórico-Militar do Centro do Funchal das autoridades locais, em pleno funcionamento com 17 estações, sobretudo edifícios, muitas fortificações que foram militares ao longo dos séculos e inclui o Museu Militar da Madeira (do Exército) na Fortaleza de São Lourenço, onde também se encontra o Comando da Zona Militar da Madeira. Aos primeiros domingos de cada mês e feriados muitos madeirenses e turistas assistem ao hastear e ao arriar da Bandeira Nacional com a Banda Militar da Madeira.

O pequeno mas bem organizado museu está aberto ao público e mostra-nos os factos marcantes dos últimos 600 anos. Além dos audioguias em várias línguas, tem agora disponível uma sala onde assistimos a um filme com efeitos digitais, no qual, em sete minutos, seis séculos de presença militar são apresentados num registo quase épico, emocionante mesmo, não fugindo aos desaires, que também os houve. 

Das duas batarias que visitamos, a de Costa recebe visitas de escolas e de particulares mediante marcação no Comando da Zona Militar da Madeira, a antiaérea no pico de São Martinho muito em breve seguirá o mesmo caminho, ficando as duas abertas ao público e plenamente inseridas no Roteiro do Turismo Militar da Madeira.

Miguel Silva Machado (texto e fotos)

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