O novo trabalho de Banksy exposto em Belém, na Cisjordânia, é um presépio

Exposto na entrada do hotel Walled-Off, que o artista abriu na cidade em 2017, “A Cicatriz de Belém” mostra um pequeno presépio frente a um pedaço de muro perfurado por obus.

A obra é uma alusão ao muro que o estado israelita começou a construir em 2002, durante a segunda Intifada, e que foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça
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A obra é uma alusão ao muro que o estado israelita começou a construir em 2002, durante a segunda Intifada, e que foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça Instagram

A alguns dias do Natal o mais recente trabalho do artista Banksy foi revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por um obus. Intitulada “A cicatriz de Belém”, a obra foi apresentada na sexta-feira e está exposta na entrada do hotel Walled-Off, que Banksy abriu em 2017 na cidade e cujos quartos dão para o muro construído por Israel em prejuízo dos palestinianos.

Uma parte do muro, com as palavras paz e amor grafitadas, serve de pano de fundo a um presépio numa pequena mesa, com presentes ao pé. O impacto do obus no muro provocou um buraco com forma de estrela que fica acima de Maria, José e Jesus, rodeados de uma vaca e de um burro. Para Wissam Salsaa, director do hotel, “A cicatriz de Belém” simboliza uma “cicatriz da vergonha": “O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal” da Cisjordânia por Israel desde 1967.

O Estado hebreu iniciou em 2002 a construção de uma barreira, formada em alguns locais por blocos de cimento de vários metros de altura, para se proteger das incursões a partir da Cisjordânia em plena vaga de atentados palestinianos durante a segunda Intifada (revolta, 2000-2005). Em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça declarou a sua construção ilegal. Israel afirma que a barreira continua a proteger de ataques com origem na Cisjordânia.

Para os palestinianos, a barreira é um dos símbolos mais odiosos da ocupação israelita e tem sido uma fonte de inspiração para Banksy, que ficou famoso com as suas pinturas subversivas no espaço público. Banksy tem várias pinturas no muro, que se tornou um local de protesto e de expressão político-artística. As pinturas que cobrem algumas partes da barreira são também uma atracção turística.

Com esta obra, o artista contribuiu “à sua maneira” para as festividades do Natal que decorrerão na próxima semana em Belém, a cidade onde a tradição cristã situa o nascimento de Jesus. Banksy “tenta difundir a voz dos palestinianos no mundo através da arte e cria um novo modelo de resistência graças a essa arte”, congratulou-se Salsaa.

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