Torne-se perito

Oito mortos e 1200 detidos nas manifestações da Índia contra a lei de cidadania

“Que democracia é esta”, perguntou Ramachandra Guha. O Governo de Modi proibiu as manifestações e criou obstáculos à navegação na Internet e à realização de chamadas de telemóveis.

,Demonstração
Fotogaleria
Reuters/Stringer .
Fotogaleria
LUSA/DIVYAKANT SOLANKI
Índia
Fotogaleria
Reuters/STRINGER
Índia
Fotogaleria
LUSA/JAGADEESH NV
Fotogaleria
Reuters/DANISH SIDDIQUI

Oito pessoas morreram e 1200 foram detidas nas manifestações que desde o dia 11 de Dezembro se realizam na Índia, que proibiram as concentrações em várias cidades do país, incluindo Nova Deli, e restringiram o acesso à Internet para tentar impedir os protestos. Também desligaram as redes móveis em Nova Deli.

As manifestações são contra uma polémica lei de cidadania que confere direitos de cidadania aos imigrantes, mas exclui os muçulmanos, e têm como objectivo denunciar os atropelos à “natureza secular” da União Indiana por estar a favorecer os hindus.

Inicialmente os protestos concentraram-se nas universidades muçulmanas, mas expandiram-se nos últimos dias, tendo milhares de pessoas saído às ruas em protesto por considerarem que a medida discrimina os mais de 200 milhões de muçulmanos e é inconstitucional. Perante a escalada dos protestos, o Governo decidiu reprimi-los, com a polícia a investir sobre os manifestantes em várias zonas do país, tentando desmobilizar os protestos.

Os grupos mais conservadores hindus também estão contra a proposta legislativa do primeiro-ministro Narendra Modi, do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Parti (BJP), reeleito em Maio, por considerarem que, no limite, a lei vai fazer aumentar o número de imigrantes agravando a situação de desemprego no país.

Nos últimos meses, milhares de imigrantes irregulares estão confinados a centros de detenção podendo via a ser repatriados por ordem judicial.

Entretanto, a polícia, pelo terceiro dia consecutivo, proibiu reuniões públicas em que participem mais de quatro pessoas em Nova Deli e em várias cidades do Estado de Assam, no Norte, assim como em algumas zonas do Uttar Pradesh.

Até ao momento as autoridades confirmam oito mortos durante as manifestações, sobretudo em cidades do norte da União Indiana.

Na capital, a polícia está a bloquear o trânsito e a reforçar a segurança junto às mesquitas.

Mais de 1200 pessoas foram detidas nos últimos dias, sobretudo em Nova Deli.

Uma delas foi um dos mais importantes historiadores do país, Ramachandra Guha. Ficou detido algumas horas e foi acusado de violar a proibição e, à saída da prisão, disse aos jornalistas que a república está “em crise”. “Que espécie de democracia é esta?”, questionou.