Sonae coloca património imobiliário na bolsa em parceria com Bankinter

A Olimpo Real Estate terá uma carteira de imóveis sob gestão superior a 500 milhões de euros, que incluirá lojas de supermercados e de hipermercados, entre outras.

Sonae rentabiliza património afecto a actividades do grupo.
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Sonae rentabiliza património afecto a actividades do grupo. Nelson Garrido

O Bankinter e a Sonae Sierra anunciaram esta sexta-feira a criação da Olimpo Real Estate Portugal, a primeira sociedade de investimento e de gestão imobiliária (SIGI) a ser constituída no mercado nacional. Os dois parceiros, que já têm experiência no negócio, com a criação, em 2017, da Olimpo Real Estate SOCIMI, em Espanha (cotada no Mercado Alternativo Bolsista), não revelam os próximos passos da operação, nomeadamente detalhes sobre a sua admissão à bolsa.

A criação da SIGI, que será cotada em bolsa, já tinha sido admitida por João Dolores, administrador financeiro da Sonae SGPS, no âmbito da apresentação de resultados do terceiro trimestre do grupo. O regime jurídico das SIGI, criado no corrente ano, pretende, através da captação de investimento em bolsa, dinamizar o mercado imobiliário, em particular o arrendamento.

A Olimpo Real Estate (ORES) Portugal abrangerá, de acordo com um comunicado das duas entidades, “uma carteira de imóveis sob gestão superior a 500 milhões de euros”, o que a coloca “ao nível dos maiores players ibéricos”. A ORES Portugal incluirá “uma carteira retalhista diversificada e que se antecipa virá a incluir supermercados, hipermercados, lojas comerciais, retail parks e escritórios, localizados essencialmente nos maiores centros urbanos de Portugal (…)”, avançam, sem identificar os imóveis em causa.

Na parceria, a Sonae Sierra será responsável pela gestão da carteira imobiliária e a gestão administrativa da sociedade e o Bankinter assegurará “a gestão estratégica do veículo”, adiantam em comunicado.

“A nossa experiência internacional enquanto gestores de investimento em activos imobiliários vai permitir-nos criar um veículo pioneiro em Portugal, que poderá apresentar uma rentabilidade muito interessante, consolidando a nossa posição de liderança no desenvolvimento de soluções inovadoras, para responder às ambições dos nossos investidores e parceiros”, avança Pedro Caupers, administrador executivo responsável pela área de Investimento da Sonae Sierra, citado no comunicado. 

Por seu lado, Pedro Lobo, director de private banking do Bankinter em Portugal, destaca que “a criação da ORES Portugal representa “uma oportunidade única e exclusiva” para os clientes do banco “diversificarem os seus investimentos, beneficiando de um instrumento financeiro inovador em Portugal, a ser admitido à negociação em mercado, gerido por parceiros de referência e com potencial de rentabilidades muito interessantes no actual contexto de juros baixos”.

Nos últimos anos, o grupo Sonae, que é proprietário do PÚBLICO, tem realizado várias operações de sale & leaseback (venda e posterior arrendamento do mesmo imóvel), especialmente na Sonae MC, na área do área do retalho alimentar. Essas operações fazem parte da estratégia anunciada pela Sonae SGPS, SA, “de monetização dos seus activos imobiliários, mantendo, ao mesmo tempo, um adequado nível de flexibilidade operacional”.

Em 2018, o grupo Sonae lançou uma oferta pública inicial (“IPO”) do negócio de retalho alimentar, concentrado na Sonae MC, SGPS, S.A, que incluia os activos imobiliários de boa parte de lojas, mas a operação acabou por não se realizar por razões de mercado.

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