Torne-se perito

João Goulão pede mais profissionais e decisão sobre estrutura que tutela as drogas

Director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Adictivos e nas Dependências foi ouvido esta quarta-feira na comissão parlamentar de Saúde.

João Goulão, director-geral do Sicad
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João Goulão, director-geral do Sicad Rui Gaudencio

Não vale a pena pensar um novo ciclo estratégico para a área das drogas e das dependências sem que haja uma decisão quanto à estrutura que tutela esta área, alertou esta manhã o director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Adictivos e nas Dependências (Sicad), João Goulão, na comissão parlamentar de Saúde, onde foi apresentar o novo relatório sobre a situação do país em matéria de droga e álcool.

“Penso que estará iminente uma tomada de decisão por parte do Governo e do Ministério da Saúde relativamente à criação de uma estrutura que tenha capacidade para pensar as políticas [sobre comportamentos adictivos e dependências] e de as executar no terreno”, declarou, mostrando-se assim confiante na resolução de uma situação que se arrasta praticamente desde 2012, altura em que o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) foi extinto e as suas competências repartidas pelas cinco administrações regionais de saúde. 

“Essa decisão correspondeu a uma perda de eficácia, de coordenação e de capacidade de mobilização de massa crítica. Há aqui perdas que hoje são consensualmente reconhecidas”, reiterou Goulão, referindo-se, entre outras coisas, à carta aberta em que três ex-ministros da Saúde e cinco bastonários exortaram o Governo a valorizar o problema da droga e a criar de novo uma instituição com autonomia e dimensão adequada para lidar com ele”. 

Mas este não foi o único apelo deixado por Goulão perante os deputados. O director-geral do Sicad lembrou que a grande dificuldade que existe hoje é a falta de profissionais na área das dependências e comportamentos adictivos. “Neste momento, para além da definição da estrutura dedicada a esta área, a maior preocupação tem a ver com o facto de não ser possível, desde há muitos anos, recrutar profissionais”, sublinhou, lembrando que os escassos profissionais existentes “são cada vez mais absorvidos pelas tarefas inadiáveis do dia-a-dia, de atendimento e cuidado, e deixaram de ser capazes de desenhar respostas adequadas aos territórios em que se inserem”. 

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