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Justiça boliviana emite mandado de captura para Evo Morales

Ex-Presidente afastado pelos militares em Novembro é acusado de “sedição” e terrorismo.

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Morales está na Argentina desde 12 de Dezembro, onde pediu o estatuto de refugiado Agustin Marcarian/REUTERS

O Ministério Público da Bolívia emitiu esta quarta-feira um mandado de captura dirigido ao ex-Presidente Evo Morales, que é acusado de “sedição” e terrorismo.

As acusações são sustentadas por um vídeo em que é possível escutar alguém, identificado como Morales, a planear uma série de bloqueios rodoviários para “deixar as cidades sem alimentos”, diz o jornal La Razón. Este vídeo é conhecido desde Novembro.

Há cerca de um mês, Morales saiu do país depois de ter sido forçado a demitir-se da presidência pelas Forças Armadas. Depois de ter passado algumas semanas no México, o ex-Presidente mudou-se para a Argentina, onde pediu asilo político. O ministro dos Negócios Estrangeiros argentino, Felipe Solá, adiantou que Morales “veio para ficar”.

A saída de Morales foi o culminar de uma crise política instalada na Bolívia após as eleições presidenciais de 20 de Outubro ganhas pelo então Presidente, mas que a oposição rejeitou, acusando-o de fraude eleitoral. Sucederam-se protestos e confrontos violentos entre apoiantes e detractores de Morales.

A divulgação de um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), que concluía terem existido indícios de fraude na contagem dos votos, foi a peça que tornou a posição de Evo Morales insustentável. Abandonado pela polícia, que se juntou aos protestos, e pressionado pelos militares, Morales apresentou a demissão a 10 de Novembro, denunciando ter sido vítima de um “golpe cívico, político e policial”.

O desgaste do homem que governava a Bolívia desde 2006 vinha já de algum tempo, sobretudo depois de em 2016 Morales ter desafiado a limitação constitucional de três mandatos como Presidente, após a sua proposta ter sido derrotada em referendo.

Desde que saiu do poder, a presidência passou a ser ocupada de forma interina pela senadora da oposição, Jeanine Añez, na sequência de um processo conturbado e que foi descrito pelos apoiantes de Morales como um “golpe”. A líder interina prometeu convocar novas eleições para 2020, mas ainda não foi avançada qualquer data.

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