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Bowie, a biografia ilustrada de alguém que mudou o mundo

Bowie – uma biografia é um livro para principiantes nos mistérios do artista que mudou o mundo, na forma simples, directa e ilustrada como condensa a rica e preenchida vida de David Jones (1947-2016). 

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Bowie – uma biografia tem uma particularidade. David Bowie é certamente um dos artistas mais biografados e o que esta nova biografia tem de diferente é o facto de narrar a história de David Robert Jones de forma ilustrada. O recurso à ilustração não é despiciendo e combina bem com alguém que sempre usou todo o tipo de expressão artística para se expressar — e que até a usou na capa de um dos seus derradeiros discos de originais (Reality, 2003).

Na prática, trata-se do método ideal para a introdução à obra genial de alguém que alterou profundamente a produção musical a partir dos anos 70 e deixou um legado que está para lá do estrito universo musical. O mérito de Bowie – uma biografia reside mais na forma simples e directa como condensa a rica e preenchida vida de David Bowie (1947-2016) e não propriamente no rigor histórico. A esse nível, diga-se, o livro resvala, por vezes, na imprecisão ou até no erro: o londrino nasceu em Brixton e não em Bromley... Nada que o próprio, sempre dado à exploração entre o facto e a ficção, entre a realidade e a personagem, não apreciasse. Bowie adoptava como verdadeiras, caso as apreciasse, as falsidades que se escreviam a seu propósito.

O que a ilustradora María Hesse e Franz Ruis fazem neste livro é prestar homenagem ao homem que quis vender o mundo e acabou a transformá-lo com as suas piruetas de camaleão, acrescentando pormenores à última fase da sua carreira, como a oferta de Robert Smith na festa do 50.º aniversário: um camaleão fossilizado. As ilustrações ingénuas de Hesse (autora de Frida – Uma biografia) acompanham a mudança de guarda-roupa do personagem que se multiplicou por vários heterónimos (de Ziggy Stardust a Lázaro) e dão-nos a imagem correcta da importância de alguém que mudou “mais vidas do que qualquer outra figura pública”, como dele disse o biógrafo David Bucley.

Leia-se a propósito When Ziggy Played Guitar – David Bowie and Four Minutes thar Shook the World, de Dylan Jones, para perceber como é que o dia 6 de Julho de 1972 transformou a vida do autor e de uma geração de futuros músicos entrevistados na obra: de Siouxsie (Siouxsie Sioux, dos Siouxsie and the Banshees, a Gary Kemp, dos Spandau Ballet, ou Nick Rhodes, dos Duran Duran). Bastaram os quatro minutos de Starman no programa de televisão Top op the Pops. "Bowie ligou uma geração, observa Dylan Jones: "Para a minha geração, ele foi tão revelador como Elvis e os Beatles foram para a anterior". Essa foi a primeira transformação. A última foi quando se despediu com o belo e sombrio Black Star e se eternizou na nossa memória global. E a vida foi uma obra de arte. "And I think my spaceship knows way to go". R.I.P.

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