Pervez Musharraf condenado à morte no Paquistão 20 anos após golpe de Estado

Antigo Presidente foi acusado de alta traição e subversão da Constituição por ter declarado a lei marcial em 2007, numa medida para se manter no poder.

Pervez Musharraf foi Presidente entre 1999 e 2008
Foto
Pervez Musharraf foi Presidente entre 1999 e 2008 T. MUGHAL/EPA

O antigo Presidente paquistanês Pervez Musharraf, que chefiou o país após um golpe de Estado militar em 1999, foi condenado à morte, esta terça-feira, por um tribunal especial antiterrorismo. O ex-general é o primeiro militar paquistanês a ser submetido a julgamento por ter violado a Constituição.

O general na reforma foi acusado de alta traição e subversão da Constituição paquistanesa, em 2013, e está a receber tratamento médico no Dubai desde 2016.

Musharraf foi julgado e condenado por suspender a Constituição do país em Novembro de 2007 para impor a lei marcial e continuar no poder.

Na altura, disse que a medida tinha como objectivo combater os militantes islâmicos no âmbito da luta antiterrorismo lançada pelos EUA após os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001. Mas a sua verdadeira intenção era purgar o Supremo Tribunal, que se preparava para considerar ilegais as eleições presidenciais do mês anterior, que deram a vitória ao general.

Viria a renunciar ao cargo em Agosto de 2008, perante a certeza de que iria ser destituído pelo Parlamento paquistanês.

A sentença foi decidida por um painel de três juízes, com dois magistrados a votarem a favor da condenação à morte e um a votar contra.

Pervez Musharraf, um general do Exército paquistanês, chegou ao poder em 1999 num golpe de Estado militar e foi Presidente até 2008. Em Outubro de 2007 venceu as eleições presidenciais de forma esmagadora devido à ausência do país, no exílio, de figuras da oposição como Nawaz Sharif e Benazir Bhutto. A ex-primeira-ministro Bhutto pôde regressar, e concorrer às eleições, mas foi assassinada num atentado no fim de 2007. O ex-Presidente Musharraf foi também responsabilizado pela sua morte, em 2013, e em 2017 considerado “fugitivo” da justiça. Se voltasse ao Paquistão, seria preso.

Em 2013, quando Nawaz Sharif, o rival que depôs em 1999, foi eleito primeiro-ministro, este iniciou um processo por traição contra Musharraf, que culminou agora nesta condenação.