Inês Franco escreveu um livro no telemóvel com 74 dicas de maquilhagem

O Pequeno Grande Livro da Maquilhagem não ensina a maquilhar, mas sim a corrigir os erros mais frequentes: escolher mal o tom da base, esborratar o eyeliner ou aplicar mal o blush, por exemplo.

Um livro escrito no telemóvel: a opção pode parecer duvidosa, mas para Inês Franco resulta. Nas notas do telemóvel, a maquilhadora reuniu 74 dicas úteis que, depois, transformou no seu terceiro livro, O Pequeno Grande Livro de Maquilhagem. O PÚBLICO foi ao atelier de Inês Franco, em Lisboa, para conversar e ainda houve tempo para nos ensinar a fazer uma maquilhagem de festa.

Uma sala cheia de espelhos com luzes, uma bancada comprida branca com cadeiras altas, é o que sobressai mal se entra no atelier da maquilhadora escolhida por muitas estrelas de televisão. Ao centro da divisão está uma grande mesa com cadeiras, e, em cada lugar, está um espelho e vários produtos de maquilhagem. É aqui que a maquilhadora costuma ensinar, faz formação profissional, uma das suas muitas paixões.

“Eu sempre gostei de maquilhagem, mas não propriamente de me maquilhar”, começa por contar a empresária de 41 anos. Há mais de 20 anos, não se falava de maquilhagem como uma profissão, mas mesmo assim Inês Franco decidiu seguir o sonho. Nascida numa pequena aldeia no concelho de Torres Vedras, conta que o pai pensava que ela ia “fazer unhas” num salão de cabeleireiro. “Não sabia bem o que era maquilhadora. Na verdade, na altura, nem eu sabia muito bem o que é que aquilo podia dar”, recorda.

Mal terminou o curso, foi estagiar para a televisão. Corria o ano de 1998, quando integrou a equipa do programa Hérman 98. “A partir daí, já não saí mais de televisão”, brinca. Hoje é a maquilhadora das apresentadoras Cristina Ferreira e Sílvia Alberto.

Quando não está na televisão, está a ensinar maquilhagem, a outros profissionais ou a entusiastas. Tornou-se conhecida também pelos vídeos que faz para o YouTube. “É muito gratificante ensinar as pessoas a maquilharem-se e a valorizarem-se”, confessa.

Um livro escrito “em cima do joelho”, mas cheio de dicas práticas

Não tem computador, nem tempo para se sentar a escrever. Nas pausas entre trabalhos, Inês Franco foi tomando nota de dicas práticas de maquilhagem. Conseguiu reunir 74, publicadas agora em livro pela Contraponto.

“Este terceiro livro é um bocadinho diferente dos outros dois, porque não é para ensinar a maquilhar, é para ensinar a corrigir erros que as pessoas cometem diariamente na maquilhagem”, explica a maquilhadora.

E que erros são esses? Inês Franco garante que o principal erro acontece na hora de escolher a base. No livro, explica que, por vezes, escolhe-se uma base na loja, parece ter ficado muito bem, e no outro dia de manhã, ao olhar-se ao espelho, ou se está com o rosto muito escuro ou demasiado claro. O ideal é então ir à loja com a pele desmaquilhada e testar a base no rosto. Muito importante é também a iluminação e por isso deve sempre deslocar-se para um local com luz natural para verificar se o tom da base funciona, explica.

Quando se pega no livro, destaca-se o seu tamanho, pouco maior do que um palmo. Inês Franco diz que a ideia é que a leitora o leve na mala para ir lendo nas pausas. A cor da capa também não foi um acaso: cor-de-rosa, o tom que a maquilhadora tem utilizado em todos os seus produtos, desde pincéis a bolsas de maquilhagem, uma extensão do seu trabalho desde 2017.

Uma marca de maquilhagem: “o projecto de vida”

Em simultâneo com O Pequeno Grande Livro da Maquilhagem, Inês Franco lançou uma nova colecção de pincéis. Há dois anos, a maquilhadora lançou os “Oito Essenciais”, os pincéis necessários para fazer uma maquilhagem. Agora, além de relançar uma nova versão desses, criou os básicos: conjuntos de dois pincéis. “São duplas porque nenhuma funciona sem a outra: base e corrector; de esfumar o côncavo e outro de esfumar o cantinho; o pincel do eyeliner com o outro de esfumar o eyeliner”, explica a empresária.

Realizada profissionalmente, Inês Franco partilha “o projecto de vida” que ainda está por realizar: “Uma marca de maquilhagem com o meu nome.” Para já, avança que no próximo ano vai lançar o primeiro produto de cosmética epónimo, feito em Portugal. “A maquilhagem, para mim, é escolher as coisas que satisfaçam realmente as necessidades das mulheres portuguesas”, conclui.

Texto editado por Bárbara Wong

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