Central Hidroeléctrica da Barragem de Foz Tua.
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Central Hidroeléctrica da Barragem de Foz Tua. Luís Ferreira Alves

Central Hidroeléctrica do Tua vence Prémio Arquitectura do Douro 2019

É a segunda vez que Souto de Moura é distinguido pelo Prémio Arquitectura do Douro, que tem como objectivo promover as boas práticas arquitectónicas numa região classificada como Património Mundial.

A Central Hidroeléctrica do Tua, uma obra com assinatura do arquitecto Eduardo Souto de Moura, foi a vencedora do Prémio Arquitectura do Douro 2019. O anúncio foi feito este sábado, 14 de Dezembro, numa sessão que decorreu no Museu do Vinho, em São João da Pesqueira, e que coincidiu com as comemorações dos 18 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial pela UNESCO.

O edifício começou a ser construído em 2011 e é composto por uma sala de máquinas parcialmente embutida no monte que ladeia o complexo, uma tentativa do arquitecto portuense em diminuir o impacto paisagístico e visual da construção. Na superfície estão instaladas peças transformadoras que, pela sua natureza, teriam obrigatoriamente que ser alojadas no exterior.

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Luís Ferreira Alves

Nos momentos que se seguiram à cerimónia, Souto de Moura mostrou-se “contente e orgulhoso” pela distinção que considerou ser “uma confirmação nacional” de outros prémios que já recebeu no estrangeiro com a mesma obra, como foi o caso do Grande Prémio Internacional da Arquitectura BigMat. “O reconhecimento nacional não era fácil porque até aqui havia sempre muita contestação e demagogia.” O arquitecto destacou ainda a complexidade de um projecto que motivou protestos de ecologistas e um acompanhamento próximo por parte da UNESCO, “questões que se conseguiram ultrapassar”. A sessão, assim como os outros edifícios distinguidos, foi, segundo o próprio, um reflexo de que para os “projectos serem bons tem que haver dificuldade”. “É preciso ter dificuldades e conseguir vencê-las para chegar à qualidade”, sublinhou.

Num comentário sobre o edifício vencedor, Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDR-N, salientou a ambivalência de uma obra que, “traduzindo uma barragem, é um exemplar notável de arquitectura”, mas também um modelo de “preservação dos valores ambientais e da paisagem”. Num âmbito mais alargado, o dirigente considera que “a actual construção no Douro, pelo menos a mais relevante,” tem como “valores centrais” a conservação do património que valeu ao Alto Douro Vinhateiro um lugar na lista de património Mundial da UNESCO. Ainda assim, ressalva que esta conservação deve ser compatível com a construção e a “circulação e de pessoas”, elementos essenciais para o desenvolvimento e sucesso económico da região.

Apesar de se tratar da primeira barragem projectada por Souto Moura, o vencedor do Pritzker 2011 recorreu a uma técnica já utilizada no Estádio Municipal de Braga (também da sua autoria), que consiste num corte, com cerca de 90 graus, no terreno, onde a obra foi “encaixada”. Aquando da apresentação do projecto, o arquitecto descreveu-o como sendo “um bunker que minimiza o impacto do betão”. Foram ainda utilizados materiais típicos da região como os socalcos, o granito e as oliveiras.

A Central Hidroeléctrica do Tua foi a escolhida entre 14 propostas submetidas. Da obra, o júri – composto por representantes da Comissão de Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN), da Entidade Regional do Turismo Porto e Norte e pelo arquitecto Álvaro Andrade (vencedor da última edição do prémio) – destacou a “decisiva e determinante intervenção da arquitectura, enquanto metodologia disciplinar, acima de tudo, por assegurar a manutenção do Douro Vinhateiro como Património da Humanidade”. É a segunda vez que Souto Moura é distinguido no âmbito deste prémio, já que em 2017 recebeu uma menção honrosa com o espaço Miguel Torga.

Para além do edifício vencedor foram ainda homenageados, com menções honrosas, o Centro Interpretativo do Vale do Tua, da autoria de Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo, e a Casa do Rio, projectada pelo arquitecto Francisco Vieira de Campos.

O Prémio Arquitectura do Douro foi criado em 2006 pela CCDRN, com o objectivo de “promover a arquitectura de excelência e as boas práticas no exercício da arquitectura que se vêm realizando na região”, após a inscrição do Alto Douro Vinhateiro na lista de Património Mundial pela UNESCO. Ao longo das últimas edições, edifícios como o Centro de Alto Rendimento do Pocinho, o Museu do Côa ou o Armazém da Quinta do Portal foram igualmente distinguidos.

Apoiado por Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.