Detido homem que apalpou repórter norte-americana durante directo

Atleta amador apalpou jornalista durante uma maratona. Acabou por se entregar às autoridades, já depois de ter pedido desculpa à repórter.

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A repórter Alex Bozarjian no momento da agressão DR

Era um serviço noticioso banal. Alex Bozarjian, jornalista no canal norte-americano WSAV-TV, acompanhava em directo, no passado sábado, uma maratona na cidade de Savannah, estado norte-americano da Geórgia, e falava para a câmara de televisão. Ao seu lado passavam centenas de atletas amadores, homens e mulheres, de todas as idades. A maioria acenava e sorria para a câmara. Um participante, porém, apalpou a repórter ao passar pela jovem de 23 anos. No rosto da jornalista, um sorriso deu lugar a uma expressão de incredulidade e indignação.

O momento foi gravado, partilhado e visualizado por milhares de pessoas na televisão nas redes sociais, voltando a lançar o debate sobre o assédio sexual, e sobretudo sobre os incidentes que as mulheres jornalistas enfrentam repetidamente em serviço. O autor do apalpão foi entretanto detido na sexta-feira.

No dia do incidente, a jornalista utilizou a sua conta no Twitter para explicar que se tinha sentido “violada, objectificada e envergonhada” com acto. “Nenhuma mulher devia ter de enfrentar isto, quer seja no trabalho ou noutro sítio qualquer. Sejam melhores”, escreveu a repórter. Ao tweet de Alex seguiram-se dezenas de comentários de internautas que não descansaram enquanto não identificaram o autor da agressão. Acabariam por fazê-lo ao encontrar a dorsal do atleta amador noutras imagens da maratona: tratava-se de Thomas Callaway, de 43 anos.

A história acabaria por ganhar contornos nacionais quando o canal de televisão CBS entrevistou vítima e agressor a meio da semana. A jornalista reiterou o que escrevera na rede social Twitter, acrescentando que Callaway a magoou fisicamente. “Foi um impacto forte”, disse. E Callaway, pela primeira vez, pediu-lhe desculpa através da televisão. 

“Eu não sou aquela pessoa que a pessoas estão a pintar [referindo-se aos comentários que recebeu nas redes sociais]. Cometo erros, não sou perfeito e peço perdão e [peço a Alex Bozarjian] que aceite as minhas desculpas”, referiu o homem de 43 anos.

O advogado de Callaway, W. Joseph Turner, tinha já afirmado através de um comunicado emitido no dia 9 de Dezembro que o seu cliente não agiu com nenhuma intenção criminosa, descrevendo-o como “um marido e um pai dedicado que é muito activo na sua comunidade”.

O caso, no entanto, seguirá as vias legais. O atleta amador foi esta sexta-feira formalmente acusado de um crime de agressão sexual, referiu Bianca Johnson, porta-voz do Departamento Policial de Savannah ao The New York Times. Callaway apresentou-se voluntariamente às autoridades na esquadra, sendo posteriormente libertado após o pagamento de uma fiança no valor de 1300 dólares (cerca de 1700 euros).

Por seu turno, a advogada da jornalista diz que Bozarjian está “satisfeitas por as autoridades estarem a levar o assunto a sério”. “Ela sente que uma repórter deveria poder sentir que pode fazer o seu trabalho sem ser agredida”, diz Gloria Allred num comunicado partilhado nas redes sociais. 

A legislação do Estado da Geórgia estipula que este tipo de agressões sexuais — o contacto físico com as partes íntimas de outra pessoa sem o seu consentimento —​ pode ser punidas com até um ano de prisão.

Callaway efrenta também sanções desportivas, com a organização da maratona de Savannah, que ajudou nos esforços de identificação do atleta e que pediu desculpa à jornalista pelo incidente, a proibir o homem de 43 de voltar a participar em quaisquer das suas provas