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Portugal é o “rei” da segunda divisão europeia

O vazio português na Liga dos Campeões - que, entre equipas e treinadores, tem, apenas, José Mourinho - constrasta com o amplo domínio nacional na Liga Europa, a segunda divisão do futebol europeu.

O troféu da Liga Europa, a entregar na final de Gdansk, em Maio de 2020
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O troféu da Liga Europa, a entregar na final de Gdansk, em Maio de 2020 Reuters/PHIL NOBLE

A Liga Europa joga-se em português. Mais do que qualquer outro país, Portugal está fortemente representado na “segunda divisão” europeia, fruto das quatro equipas em competição – nenhuma outra nação tem tantas – e dos oito treinadores nos bancos – número bem acima de todos os outros países.

Começando pelas equipas, Portugal não lidera por muito, mas lidera. O Sp. Braga venceu o seu grupo, algo que o FC Porto também fez, o Sporting passou em segundo lugar, e o Benfica chega como ex-Champions. Com quatro equipas, Portugal lidera a tabela, à frente, até, dos chamados campeonatos “Big 5” – Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França. O caso dos franceses é o mais curioso, já que a eliminação do Rennes e do Saint-Étienne deixaram os gauleses vazios em matéria de Liga Europa.

Se a probabilidade de vencer a prova se medisse pelo número de equipas presentes, Portugal poderia já começar a pensar na final de Gdánsk. Como o desporto não funciona dessa forma, a boa probabilidade estatística é contrabalançada pelo poderio de equipas como Inter Milão, Manchester United, Sevilha, Arsenal, Roma, Ajax ou RB Salzburgo. Apesar de a “piscina dos grandes” ser a Liga dos Campeões, a segunda divisão europeia tem, por culpa de equipas como estas, uma piscina com “crianças já bastante grandes” e que podem intrometer-se na luta pela viagem ao norte da Polónia, em Maio de 2020.

Lugar no ranking é bom, mas…

Ter quatro equipas em prova é, simultaneamente, a consequência e a causa da posição favorável no ranking UEFA. Com a eliminação de todas as equipas russas nas competições europeias, Portugal “chutou para canto” uma possível ultrapassagem da Rússia no sexto lugar do ranking. Além disto, as equipas belgas e holandesas em prova já não conseguirão, por muitos pontos que façam, superar os pontos das portuguesas – que até podem não pontuar mais em 2019/20.

Tudo isto equivale a dizer que, com as suas quatro formações em prova e com as eliminações nos países mais próximos no ranking, Portugal já sabe que terá, em 2021/22, duas equipas com entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões e uma outra com lugar na pré-eliminatória.

Apesar de já não precisar de mais pontos, somar bastantes nesta Liga Europa será uma excelente oportunidade para Portugal cavar um fosso que poderá vir a ser importante no futuro. Porquê? Porque a partir de 2021/22 o ciclo de subida no ranking poderá inverter-se, já que, com mais equipas em prova, os pontos de Portugal serão a dividir por mais equipas – algo que acontece, agora, com a Rússia.

A partir dessa altura, os russos, apesar de terem menos formações na Europa, acabam por ter, por isso, um divisor menor – permitindo que os pontos conquistados sejam mais efectivos do que os pontos eventualmente conquistados por Portugal. E é por isto que países como Portugal, Rússia, Holanda e até França, fruto da instabilidade dos resultados das suas equipas, andam em constante e cíclico “sobe e desce” no ranking UEFA.

Desta forma, conquistar muitos pontos nesta temporada, aproveitando o vazio russo, pode vir a ser essencial para, no futuro, minimizar as consequências de ter um divisor de pontos maior. E minimizar, por extensão, a probabilidade de voltar a cair no ranking.

Portugueses são “favas” do pote 2

O domínio de Portugal na Liga Europa não se limita aos clubes. Também os treinadores portugueses dominam a segunda divisão europeia, quer por via do “póquer” de treinadores nacionais nas quatro equipas portugueses, quer pela presença de outros cinco técnicos lusos em equipas estrangeiras.

Um deles é Paulo Fonseca, com uma Roma que é, até, um dos candidatos ao triunfo final. Também Luís Castro, com o Shakhtar, poderá ter uma palavra a dizer, surgindo o Nuno Espírito Santo, com o Wolverhampton – possivelmente focado na Liga inglesa –, e Pedro Martins, no Olympiacos, num nível secundário de favoritismo entre os técnicos portugueses.

O sorteio dos 16 avos-de-final da Liga Europa está marcado para segunda-feira (12h), sendo já garantido que cinco dos oito treinadores portugueses estarão no pote 2, à mercê dos “tubarões” do lote de cabeças-de-série.

Apenas Sá Pinto, Sérgio Conceição e Bruno Lage têm estatuto especial neste sorteio, sendo que, curiosamente, duas das “favas” que os cabeças-de-série mais temem vindas do pote 2 são, precisamente, a Roma, de Paulo Fonseca, e o Shakhtar, de Luís Castro.