Macau 20 anos

Kun Iam consola Macau nas horas difíceis

Visita a um dos templos budistas mais antigos de Macau, que Portugal devolveu à China há 20 anos. 

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"Um país, dois sistemas" é a regra geral que se aplica a Macau na sua relação com a China. E que se declina no quotidiano dos 650 mil habitantes da região administrativa especial sob diversas formas. Ainda que o passado como plataforma ou entreposto comercial exposto ao tráfego do mar da China tenha submetido Macau à miscigenação constante (na cultura, nas famílias, nas tradições, nas ideias), a cidade que Portugal devolveu a Pequim há precisamente 20 anos (a 20 de Dezembro de 1999) cresceu entre duas filosofias de vida, a chinesa ou asiática e a europeia ou ocidental. 

Os dois legados religiosos como o budismo e o cristianismo católico de Roma são prova e testemunho. E Kun Iam, denominada Deusa da Misericórdia pelos primeiros missionários jesuítas na China, tem em sua honra um templo que oferece abrigo nas horas difíceis.

Kun Iam Tong, fundado no século XIII, é um dos três templos mais antigos de Macau. No budismo chinês, Kun Iam representa compaixão, misericórdia ou perdão. No budismo tibetano chama-se Chenrezig, tendo outro nome na Índia, duas regiões onde esta entidade tem características masculinas.

Alguns budistas acreditam que Kun Iam cuida dos mortos, protegendo-os dentro de uma flor de lótus, oferecendo alívio aos vivos e a todos os que lhe dedicam orações.

Nos últimos 20 anos, Macau não sofreu grandes aflições – a passagem do tufão Hato, em 2017, que fez dez mortos em Macau, terá sido o pior momento colectivo. Kun Iam foi, e continua a ser, um porto de abrigo diário para a população budista.

O edifício actual, composto por diversos módulos e salas, bem como jardins e pátios, é mais recente. Data do século XVII. Fica na avenida do Coronel Mesquita, na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, perto de outros templos budistas como o de Mong Ha, Kun Iam Tchai e Sen Wong.

Nos jardins interiores, há uma velha mesa de pedra que foi testemunha de um importante momento político. Foi ali que a 3 de Julho de 1844, EUA e China rubricaram um acordo de livre comércio. Ficou para a história como o Tratado Sino-Americano de Mong-Há.

É um local de culto, mas em simultâneo um local de passagem obrigatória para turistas. Daí que se peça respeito, com o mesmo vigor com que soaria o sino com 300 anos que nos recebe num dos espaços principais do templo. Victor Ferreira

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