Opinião

Cartas ao director

Reportagem sobre a Cantuária

Para quem possa ter dúvidas de quanto vale a pena comprar o PÚBLICO todos os dias, a reportagem de ontem feita por António Saraiva Lima em Canterbury, sobre os votos remainers que se unem para evitar o “Brexit”, é resposta suficiente. Eis jornalismo no estado puro, informação genuína, não formatada nem requentada: é com peças como essa que o PÚBLICO demonstra a sua indispensabilidade, nesta época de telejornais paroquiais ad nauseam, a que só se consegue assistir em diferido para poder avançar com o telecomando. 

Em jeito de postcriptum, reitero um pedido exangue: devolvam as páginas das notícias internacionais à primeira metade do jornal. A sua colocação a seguir a tudo, inclusive da economia, é uma herança paroquial e provinciana que não condiz com os padrões editoriais do jornal.

Alexandre Delgado, Lisboa

A falta de verdadeiros líderes e estadistas

O que é verdadeiramente espantoso é verificarmos que foi necessário surgir uma menina/adolescente para avisar e alertar os líderes mundiais dos países mais desenvolvidos, para mudarem as suas políticas ambientais. Antes de surgir Greta Thunberg no espaço mediático – está a tornar-se uma estrela refulgente, mas em breve empalidecerá – cientistas vários (v.g, Hubert Reeves), desde há uns anos a esta parte, vêm alertando que o planeta Terra está em perigo devido às acções irresponsáveis do ser humano. O que é estranho - sintomático de que algo vai mal - é que nenhum líder político dos países mais desenvolvidos ousou alertar com premência - antes do surgimento de Greta Thunberg -, para a necessidade de se implementarem, com seriedade, novas políticas ambientais que visem a sustentabilidade do planeta (a China e os Estados Unidos são países que não ligam nada a esta questão do ambiente e vão, certamente, continuar a poluir). Agora que Greta se tornou a “mártir” da causa ambiental, os líderes dos países mais desenvolvidos esboçam palavras de boas intenções e prometem acções que, certamente, não serão suficientes para reverter a trágica situação. Na verdade, o mundo está carente de verdadeiros líderes e estadistas e o meio ambiente e os ecossistemas mundiais caminham para o ocaso.

António Cândido Miguéis, Vila Real