Nuno Melo quer diálogo entre os candidatos do CDS para evitar “balcanização”

João Almeida, que vai disputar a liderança do CDS, já respondeu e está disponível para os contactos

Nuno Melo vai promover contactos com os candidatos nos próximos dias
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Nuno Melo vai promover contactos com os candidatos nos próximos dias Nuno Ferreira Santos

Nuno Melo e Telmo Correia, subscritores da moção Direita Autêntica, desafiaram esta quarta-feira os candidatos à liderança do CDS-PP a construírem uma “plataforma mais ampla” para evitar a “balcanização” do partido no próximo congresso em Janeiro. O repto, lançado em comunicado, não exclui uma futura candidatura à liderança embora estes dois subscritores da moção já tenham rejeitado apresentar-se como candidatos à sucessão de Assunção Cristas. João Almeida, que é candidato, já assumiu a disponibilidade para o diálogo, mas as outras candidaturas apontam críticas à visão assumida pelos dirigentes do partido.

Nuno Melo, eurodeputado e que é vice-presidente na actual direcção, e Telmo Correia, deputado e presidente do conselho nacional, defendem que é essencial “evitar uma excessiva fragmentação do partido”, segundo o comunicado, que deixa um alerta: “Um CDS balcanizado terá maior dificuldade em fazer a afirmação que é necessária” após o congresso. Nesse sentido, os dois subscritores adiantam que vão entrar em contacto com os candidatos para construir uma “plataforma mais ampla para enfrentar de forma mais sólida o próximo ciclo”.

Até agora há quatro candidatos à liderança do CDS: João Almeida, que é deputado e foi porta-voz da actual direcção, Filipe Lobo d’Ávila, ex-deputado, Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento, e Carlos Meira, dirigente distrital. Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, também pondera disputar a liderança do CDS.

No comunicado, Nuno Melo e Telmo Correia reafirmam que a moção “não exclui nenhum cenário, incluindo a possibilidade de uma candidatura própria”, referindo que nessa perspectiva a eleição de delegados foi um “sinal animador”. O regulamento do próximo congresso, em 25 e 26 de Janeiro, estabelece que as candidaturas à presidência do CDS e à comissão política nacional “são apresentadas pelo primeiro subscritor de uma moção global de estratégia”, mas até agora os dois protagonistas da moção Direita Autêntica rejeitaram a hipótese de avançar. No entanto, os militantes podem subscrever todas as moções globais de estratégia e até agora estão a ser preparadas 15. 

Depois de o comunicado ter sido tornado público, João Almeida referiu ter afirmado, “desde o início do processo”, o seu “compromisso com a união do partido e o diálogo com todos”. E acrescentou: “Como tal a minha disponibilidade é total”.

Raul Almeida, porta-voz do grupo liderado por Filipe Lobo d’Ávila, já se distanciou desta iniciativa de Nuno Melo e Telmo Correia e apontou críticas. “Percebo que, depois de não terem gerado uma candidatura, procurem um papel para a sua moção na conjuntura actual, mas estou definitivamente longe desta ideia antiga e ultrapassada de evitar o confronto de ideias e visões de futuro”, escreveu na rede social Facebook.

O ex-deputado considera que “um partido morto não gera quatro candidaturas distintas à liderança” e contesta os termos usados pelos dois subscritores da moção Direita Autêntica. “Chamar à pluralidade fragmentação e balcanização revela uma visão pobre da dinâmica democrática. Apelar à desvalorização da diferença, revela que se interpreta como pessoal o que deve ser manter no plano das ideias. Fazê-lo com um paternalismo fundado essencialmente em derrotas, é, no mínimo, caricato”, apontou, defendendo que “unir o partido, é saber viver com a sua diversidade, respeitando diferenças sem dramas, ao mesmo tempo que se afirma e segue um rumo claro”.

Contactado pelo PÚBLICO, Abel Matos Santos lembra que sempre apelou ao diálogo e à inclusão. “Nunca ligaram, era o radical e afinal tinha razão, agora todos dizem o que eu sempre disse e apelam ao diálogo”, afirmou, acrescentando: “O diálogo, o bom diálogo, faz-se na apresentação das moções e no congresso com os congressistas, com os militantes”.

Relativamente ao receio de balcanização, o democrata-cristão questiona o sentido da declaração. “Balcanização do quê? Dos candidatos à liderança de um partido em decadência? É que uns dois terços dos militantes e simpatizantes já fugiram e são hoje uma espécie de refugiados bósnios. É que são esses os Balcãs que nos deviam preocupar”, disse.