Neste documentário, a resposta para os desafios do futuro está no passado

A produção do canal História problematiza o futuro com exemplos do passado. O narrador Diego Rubio diz que não se pode “desprezar o passado como algo inútil”, mas sim como uma fonte de possíveis soluções para os desafios vindouros.

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Imagens do documentário DR/Canal História
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Imagens do documentário DR/Canal História

Primeiro, olha-se para o passado. Depois, analisam-se as consequências de catástrofes e acontecimentos históricos e trespassa-se esse conhecimento para os desafios do futuro. É esta a premissa do documentário Uma História do Futuro, que se estreia esta quarta-feira no canal História, às 22h15. “A História é um repositório de experiências tremendo e, como tal, constitui a melhor ferramenta que temos para imaginar cenários futuros”, diz ao PÚBLICO o apresentador e narrador do documentário, Diego Rubio, doutorado pela Universidade de Oxford e professor de História Aplicada e Governação na universidade espanhola IE. 

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O apresentador Diego Rubio DR/CANAL HISTÓRIA

O que é que os problemas climáticos do “ano sem Verão” de 1816 nos podem ensinar sobre o que pode acontecer com as alterações climáticas nos próximos anos? O que fazem os humanos em caso de seca extrema? “A experiência histórica ensina-nos que quando se produzem alterações climáticas severas, os povos afectados vêem-se obrigados a emigrar, e isto por sua vez provoca conflitos sociais, mas também misturas culturais. As migrações causadas pelas alterações climáticas no futuro serão diferentes das do passado. E, ao mesmo tempo, serão iguais”, explica o narrador.

Também os clorofluorcarbonetos (CFC) foram durante anos utilizados em toda a indústria até que a comunidade científica se apercebeu dos efeitos nocivos para o ambiente (sobretudo na camada do Ozono) e hoje já quase não há equipamentos com clorofluorcarbonetos — poderá o mesmo acontecer com as emissões de CO2? “A história não se repete, mas podemos esboçar possíveis cenários e antecipar as diferentes reacções sociais que daí advêm”, sintetiza Diego Rubio, em resposta por email ao PÚBLICO.

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Imagens do documentário DR/CANAL HISTÓRIA

No futuro é provável que haja mais catástrofes naturais, casos extremos de seca, subida das temperaturas, epidemias e falta de água – e tudo isto já aconteceu no passado. “Devemos aprender a olhar mais para o passado e a preocuparmo-nos mais com o futuro longe deste planeta”, argumenta o professor espanhol.

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Imagens do documentário DR/CANAL HISTÓRIA

Estes são alguns dos temas debatidos no primeiro episódio a que o PÚBLICO assistiu. A série documental está dividida em quatro partes: clima, trabalho, globalização e democracia. “Escolhemos estas quatro questões porque a sua evolução afectará o futuro de todas as pessoas, não importa a idade, o que se faz, ou onde se vive”, justifica Diego Rubio. Os dois primeiros episódios serão exibidos esta quarta-feira e os dois restantes na próxima terça-feira, dia 17, no canal História. Esta é uma série única e não estão previstos mais episódios.

“Há tendências preocupantes que farão soar o alarme”

No segundo episódio fala-se da revolução industrial, de inteligência artificial, das mudanças passadas no mercado de trabalho. Olhando-se para o caso da imprensa de Gutenberg ou para os efeitos nos bancos do aparecimento da caixa multibanco, há razões para temer a automatização do trabalho? No terceiro episódio, fala-se de tecnologia e da influência da globalização – analisando-se, por exemplo, a antiga “rota da seda” da China – e no último capítulo fala-se de democracia. Da ascensão de Adolf Hitler a partir do coração do sistema democrático à analise das democracias mais antigas (e da sua queda).

Quando se fala dos problemas do futuro, há casos em que se torna difícil contornar cenários alarmistas. “Esta série procura informar com rigor e com a maior objectividade possível. Mas também assinala tendências preocupantes que farão soar o alarme. Noutros casos, marca tendências positivas que nos farão ansiar o amanhã”.

Para o investigador Diego Rubio, a maior ameaça dos dias de hoje “é pensar-se a curto prazo”. “Vivemos numa sociedade sem memória que despreza o passado como algo inútil e só se preocupa com o futuro de daqui a dez anos”. Ainda assim, não hesita em afirmar que “o futuro do Ocidente será melhor do que o seu passado”. “Disso podemos estar certos. Desde que consigamos reduzir as nossas emissões de dióxido de carbono dentro de 50 anos.”

O documentário de quatro partes (cada uma delas com cerca de 50 minutos) é uma produção do canal História e é narrado em espanhol pelo professor Diego Rubio. Nele participam dezenas de cientistas, que versam sobre os acontecimentos passados e possíveis implicações futuras, como Naomi Oreskes, Samuel K. Cohn, Emmanuel Conte, Gabriela Ramos ou Steven Levitsky.