Fogos e seca fazem Portugal cair oito lugares em ranking ambiental

Portugal está agora na 25.ª posição, a meio da tabela. Nas políticas ambientais, Portugal sai-se muito melhor.

Escassez de água
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Nelson Garrido

Portugal caiu oito posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI, na sigla inglesa), que avalia 57 países e a União Europeia nas categorias de emissão de gases com efeito de estufa (GEE), uso de energias renováveis, consumo de energia e políticas ambientais.

A queda no índice deve-se, curiosamente e em parte, aos efeitos causadas pelas próprias alterações climáticas, já que os dados aqui avaliados são de 2017, quando o país foi devastado por fogos e afectado por uma grande seca que levou à queda da produção hidroeléctrica e a um maior recurso a combustíveis fósseis.

O CCPI é feito anualmente por um conjunto de organizações não-governamentais, que usam dados estatísticos disponíveis para avaliar o desempenho dos vários países. O documento com os dados mais recentes, a que o PÚBLICO teve acesso, vai ser apresentado esta terça-feira na 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, em Madrid.

Como já vem sendo habitual, os três primeiros lugares do índice, que corresponderiam a avaliações “muito altas” e significariam que esses classificados estavam em linha com o cumprimento das metas do Acordo de Paris, ficaram vazios. O 4.º lugar (que na prática corresponde ao primeiro), volta a pertencer à Suécia, logo seguida da Dinamarca (que sobe onze lugares no índice) e Marrocos. No extremo oposto, o último lugar é ocupado pelos Estados Unidos da América, com Arábia Saudita e Taiwan logo acima dele.

A queda de Portugal, que fica agora na 25.ª posição (22.ª se considerarmos que os três primeiros lugares estão vazios), deve-se sobretudo ao aumento de emissões de GEE, entre 2012 e 2017, o que valeu ao país uma classificação de “muito baixo” desempenho nesta área. O país foi avaliado com um desempenho “médio” ao nível das energias renováveis e do uso energético — prejudicado pelo fim da crise e o consequente aumento do consumo, sendo também essa a classificação global que obtém.

Muito bom na política externa

Já nas políticas ambientais, Portugal sai-se muito melhor. Recebe uma classificação de desempenho “alto” nas políticas internas e de “muito alto” pela forma como se tem comportado nas negociações a nível internacional (é mesmo o 1.º classificado nesta categoria), nomeadamente, no âmbito da União Europeia, em que se bateu pela redução de emissões de GEE em 55% até 2030 e a neutralidade carbónica em 2050, refere o estudo.

O Governo de António Costa não se livra, contudo, de críticas, sobretudo pelas isenções que ainda são concedidas aos combustíveis fósseis e pelas concessões ainda activas de exploração de gás, na zona centro do país.

Entre os aspectos mais positivos, destaca-se o anúncio de que o fecho das centrais de carvão foi antecipado para 2023. A revisão das políticas florestais também é saudada, mas com alguma expectativa, já que não se sabe que resultados trará.

Em comunicado, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável (que participa no relatório) realça que o país se encontra quatro lugares abaixo da União Europeia, mas nove lugares acima de Espanha, onde está a decorrer a COP25. Os países com pior desempenho na UE são a Bulgária e a Polónia.

A nível global, a associação refere que do grupo do G20, apenas dois membros (Reino Unido e Índia) têm uma classificação “alta”, enquanto oito não vão além de “muito baixa”. A China, que é o maior emissor global, melhora ligeiramente a sua classificação e fica em 30.º lugar. Mas, se implementar “os seus extensos planos para construir novas centrais a carvão”, poderá cair abruptamente no índice, refere a Zero.

Já os Estados Unidos assumem, pela primeira vez, o último lugar da tabela, com os desempenhos da política de Donald Trump a serem classificados como “baixos” ou “muito baixos”. Ainda assim, há pelo menos um item em que a Austrália conseguir sair-se ainda pior. Este é o único país a obter um zero (em 100 pontos possíveis) na categoria políticas ambientais.

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