Crónica

Vamos tomar um café?

“Tomar um café” deixou de ser, apenas, um ato isolado de se pedir um café ao empregado, de o beber e de se vir embora. “Tomar um café” é uma forma de nos sentirmos vivos.

Talvez a vida precise de pausas, de pretextos, de desculpas, de sair do rodopio que nos encerra nas rotinas do dia a dia. “Tomar café” pode fazer parte dessa rotina, mas, na maior parte das vezes, é um escape.

Tomamos café pela manhã, antes de ir trabalhar, mas, na maior parte das vezes, faz parte do pequeno-almoço, serve de motor de arranque que nos ajuda a despertar, que nos dá energia. Porém, quando a meio da manhã alguém nos convida para tomar um café, essa pausa, essa saída do carrossel, que nos envolve nas tarefas que temos de cumprir, é uma espécie de elixir. Trata-se de um momento em que os músculos da mente se espraiam, em que a conversa pode ser supérflua, em que podemos, pelo menos, sair dali, mudar de paisagem, respirar um outro ar. Sentir o coração!

Todos sabemos que existem, cada vez mais, máquinas espalhadas pelos diversos serviços, de modo a evitar ausências prolongadas do local de trabalho. Essas máquinas, sim, espécies de bombas de gasolina, servem cafés para revitalizar, agitar os sentidos, energizar. Mas a tal saída por minutos de um espaço não se concretiza. No entender de alguns, porque roubaria tempo de serviço. Desenganem-se! Uma pausa contemplativa, descontraída pode ser inspiradora e criativa. Permite que o coração estique as pernas, abrace o sol, se pinte de mil cores, respire ar puro, outro ar. Uma conversa entre colegas que sai do local de trabalho para tomar um café pode ser produtiva, socializante, apaziguadora, motivadora.

Além disso, “tomar um café” pode ter tantos significados quantos o que a vida lhe permitir atribuir: serve para conhecer uma pessoa, conversar, namorar. Serve para estudar, trocar ideias, trabalhar, explicar. Serve para contemplar, observar, respirar gentes, observá-las para as compreender. E estamos a precisar tanto de pessoas com “gente dentro”!...

“Tomar um café” deixou de ser, apenas, um ato isolado de se pedir um café ao empregado, de o beber e de se vir embora. “Tomar um café” é uma forma de nos sentirmos vivos.

Por tudo isso, convida alguém para tomar café, contudo, de preferência, deixa o telemóvel em casa. Haverá muito que conversar!

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