Rússia e Ucrânia chegam a acordo para cessar-fogo antes do final do ano

A guerra entre as forças do Governo ucraniano e os separatistas apoiados pela Rússia dura há cinco anos e meio e já causou 13 mil mortes.

Foto
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente russo Vladimir Putin em Paris Reuters

O presidente russo Vladimir Putin e o seu homólogo ucraniano Volodymyr Zelensky chegaram esta segunda-feira a um acordo para implementar um cessar-fogo “total e global” no Leste da Ucrânia até ao final deste ano, mas deixaram algumas questões difíceis por resolver. Os dois líderes reuniram-se esta tarde, num primeiro encontro bilateral, que decorreu em Paris

A guerra entre as forças do Governo ucraniano e os separatistas apoiados pela Rússia, que dura há cinco anos e meio, já provocou 13 mil mortes, segundo a Reuters.

As negociações foram mediadas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pela chanceler alemã, Angela Merkel.

“As partes comprometeram-se com uma implementação total e global de um cessar-fogo, reforçada pela implementação de todas as medidas necessárias de verificação do cessar-fogo, antes do fim do ano de 2019”, revela um comunicado conjunto após o encontro dos dois presidentes em Paris. O acordo estipula ainda esforços de ambas as partes para que se efectue uma troca “total” de todos os prisioneiros de guerra detidos, segundo o comunicado citado pela Reuters.

Os dois países comprometeram-se ainda a retirar as forças militares em três outras regiões da Ucrânia até ao final de Março de 2020, sem detalhar quais as regiões em questão. Dentro de quatro meses realizar-se-ão novas conversações para que seja feito um balanço do cessar-fogo.

Numa conferência de imprensa após a cimeira, no Palácio do Eliseu, Putin classificou as conversações como um “passo importante” para o fim do conflito. Já o Zelensky destacou que a questão das exportações de gás através de condutas pela Ucrânia tinha sido “desbloqueada” após uma disputa sobre taxas de exportação e que será também elaborado um acordo a este respeito.

No entanto, os dois países continuam a discordar nalguns pontos, como a retirada das tropas russas e a realização de eleições em zonas da Ucrânia controladas por separatistas. Vladimir Putin terá pedido ainda que a Constituição ucraniana seja alterada para conferir um estatuto especial à região de Donbass.

A Rússia e a Ucrânia já se tinham reunido quatro vezes com o objectivo de negociar o fim do conflito no Leste da Ucrânia, que começou em 2014. Duas das cimeiras anteriores tiveram lugar em Minsk, também com mediação da França e da Alemanha e intervenção da Bielorrússia. Já o terceiro encontro decorreu em Berlim, em Outubro de 2016.