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Neste Natal, dá menos

Neste Natal, desafio-nos a estar atentos e a saborear o momento. Vamos olhar para as luzes de Natal sem o telemóvel pelo meio, mastigar devagar os nossos doces preferidos e apreciar os sorrisos das pessoas de quem gostamos.

Começa a azáfama da época favorita do ano. Já fizeste a tua lista de compras de Natal? Quantos presentes já escolheste? O que é que se dá ao namorado novo? O que é que se dá ao sobrinho que tem tudo? E aos vizinhos, também se dá uma lembrança? A tua melhor amiga queria aquela mala, lembras-te? Não há stock, terias de a encomendar do estrangeiro com um mês e meio de antecedência (e vais pagar para desalfandegar). Para o amigo secreto, o que se arranja com 15 euros? Antes fossem 50 cêntimos, ou já não chega ter de pagar pelo jantar?! Tanta coisa para continuarmos a receber meias e bibelôs…

Gostamos tanto do Natal. As luzes acendem-se, as ruas ficam todas decoradas e as caixas de correio (físicas e electrónicas) enchem-se de catálogos de brinquedos, roupa para a passagem de ano, pacotes de viagem para o próximo Verão e promoções alusivas e avulsas. Já cheiramos castanhas na rua e chove sem parar a cada dois dias, mas o que vale é que daqui a menos de um mês estamos no Natal. Até lá, ainda temos mil e um eventos e encontros, trocas de prendas, excursões ao centro comercial...

É inegável: procuramos os melhores presentes para quem os vai receber. Queremos impressionar. Não tivemos mãos a medir na Black Friday, um evento importado que dá muito jeito. De vez em quando, aproveitamos aquelas promoções inesperadas e fazemos rascunhos de listas de compras. Estamos todos no mesmo barco, a esticar subsídios de Natal e a viver no meio de papel colorido e sacos das marcas do costume ou de novas, recomendadas na Internet.

O que é que estamos a fazer, afinal? Será que nos está a escapar alguma coisa? Porque dependemos tanto do Natal para sermos felizes e fazermos os outros felizes? A verdade é que o conforto material é imprescindível, mas a fronteira entre estar confortável e querer mais, por hábito, é muito ténue. Pergunto-me: o gasto de dinheiro é proporcional à felicidade e significado pretendidos?

Ainda assim, temos alternativas. Podemos dar presentes tão bons sem dinheiro. Podemos dar tempo, atenção e carinho. Podemos dar uma ajuda no que for preciso, uma gulodice feita por nós ou algo que já não nos faz falta e está lá por casa à espera de uma nova vida. Ter disponibilidade para os outros é tão importante, tal como partilhar e personalizar aquilo que temos para oferecer. Talvez tenhamos palavras e gestos de amor que não fazem sentido só dentro de nós e que estão prontos a seguir pelo mundo.

Neste Natal, desafio-nos a estar atentos e a saborear o momento. Vamos olhar para as luzes de Natal sem o telemóvel pelo meio, mastigar devagar os nossos doces preferidos e apreciar os sorrisos das pessoas de quem gostamos. Vamos oferecer mimo, colo e abraços, procurar aquilo que nos faz levantar da cama, escutar, estar lá e ignorar quem vive sem realmente viver, vamos ser todos mais tolerantes, espalhar apenas aquilo que enriquece. E por aí fora...

Para ti, o que significa ter espírito natalício? Não há dinheiro que compre paz, sorrisos e bem-estar. Sabias que, de acordo com os investigadores James H. Fowler e Nicholas A. Christakis, com um aumento de 10 mil dólares por ano, só ficaríamos 2% mais felizes do que antes? Sabias que, segundo Sonja Lyubomirsky,​ a felicidade é 50% genética, 10% produto de circunstâncias que não conseguimos controlar e uns valentes 40% resultam das nossas escolhas e acções?

Então, este Natal vamos escolher dar menos de umas coisas, para dar mais de outras. Tendo tudo bem equilibrado, o material e o humano, faremos um brilharete nas prendas.