Coreia do Norte diz que discutir a desnuclearização está fora de questão

Embaixador do país à ONU vai mais longe quanto a condições para negociar com os Estados Unidos.

Coreia do Norte
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Kim Jong-un ameaçou "um novo caminho" a partir do início do ano Shamil Zhumatov/Reuters

O embaixador da Coreia do Norte na ONU, Kim Song, pareceu ir mais além do que o aviso anterior do país em relação ao seu programa de armas nucleares: a desnuclearização está fora da mesa de discussões com os Estados Unidos.

A desnuclearização tem sido precisamente o objectivo dos Estados Unidos nas conversações com a Coreia do Norte. Depois de três encontros entre Donald Trump e Kim Jong-un, as conversações não tiveram resultados, e o regime norte-coreano impôs um prazo para um recomeço de negociações até ao final do ano.

O responsável nas Nações Unidas disse que o “diálogo substancial” pedido pelos Estados Unidos era um “truque para ganhar tempo”, adaptado à agenda política interna, ou seja, a campanha de Donald Trump para a reeleição em 2020.

O Departamento de Estado não respondeu a um pedido para comentário.

A tensão tem aumentado antes de um prazo imposto pela Coreia do Norte, que expira no final do ano. Pyongyang quer que os Estados Unidos deixem de pedir a desnuclearização unilateral da Coreia do Norte e pedem um alívio das sanções.

Caso contrário, o líder, Kim Jong-un ameaçou que poderia seguir um “novo caminho” no início do ano, o que levantou medos de que pudesse querer voltar a produzir material para uma bomba atómica e testes de mísseis de longo alcance suspensos desde 2017.

Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte pediu a Washington para mudar as suas “práticas hostis” e disse que cabia aos EUA decidir que “prenda de Natal” dar ao país no final do ano.

Kim Song também criticou os membros europeus do Conselho de Segurança da ONU, que tinham chamado aos lançamentos de mísseis de curto alcance “uma provocação” de Pyongyang, dizendo que estes são “o cãozinho de estimação” dos Estados Unidos.

Na terça-feira, Trump voltou a chamar Kim rocket man, e sublinhou que os Estados Unidos se reservam o direito de usar força militar contra a Coreia do Norte. Pyongyang retorquiu que esta linguagem pode assinalar “um regresso à senilidade de um senil”.

Na sexta-feira, a Coreia do Sul disse que o seu Presidente, Moon Jae-in, falou ao telefone com Trump e que ambos concordaram que a situação se tornou” grave” e que é “necessário manter o diálogo para conseguir resultados das negociações de desnuclearização”.