Produção industrial na Alemanha sofre maior queda da década

As fábricas da Alemanha – um dos principais parceiros económicos de Portugal – regressaram às quebras de produção, sofrendo em Outubro o maior abrandamento homólogo da década.

Sector automóvel alemão está a ser particularmente afectado pelo abrandamento económico.
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Sector automóvel alemão está a ser particularmente afectado pelo abrandamento económico. LUSA/FOCKE STRANGMANN

As nuvens negras que pairam sobre a actividade económica alemã tinham desanuviado ligeiramente nas últimas semanas. Mas esta sexta-feira voltaram a adensar-se, com a divulgação de uma forte quebra da produção industrial germânica, um dos barómetros mais relevantes sobre a saúde da maior economia europeia e uma das mais relevantes parceiras das empresas portuguesas.

Segundo os dados oficiais, a produção das fábricas alemãs caiu 5,3% em termos homólogos durante o mês de Outubro, a maior quebra observada neste indicador na última década, prolongando assim uma série negativa que já dura há 12 meses. No topo das razões avançadas pelos responsáveis alemães estão as tensões comerciais que persistem entre a China e os EUA, mas também a incerteza provocada pelo Brexit, que apesar de adiado continua a pesar nas decisões de investimento das empresas germânicas e na iniciativa dos seus clientes. Aliás, antes de serem conhecidos estes dados, os sinais das encomendas pedidas às fábricas em Outubro já davam conta de uma quebra, perante a menor procura sentida na procura e no investimento doméstico e fora da zona euro. Adicionalmente, a confiança dos empresários continua em níveis baixo, apesar de ter estabilizado. Entre todos, o sector automóvel tem sido especialmente penalizado por este contexto adverso, o que deverá traduzir-se na eliminação de 100 mil postos de trabalho para lidar com os efeitos deste abrandamento.

Estes dados ameaçam a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) alemão no quarto trimestre, que o Bundesbank já previu que não irá sequer crescer, mantendo a estagnação sentida no terceiro trimestre, quando escapou à justa ao cenário técnico de recessão. 

O ministro da Economia alemão comentou, esta sexta-feira, os dados da indústria com algum optimismo: “os desenvolvimentos recentes nas encomendas e nas expectativas das empresas sinalizam que a tendência de estabilização pode consolidar-se nos próximos meses”. Esta posição é consistente com a resistência que o governo alemão tem manifestado aos apelos para injectar um pacote de estímulos na economia, de forma a tentar contrabalançar os sinais crescentes de crise económica iminente que estão a deixar todos os seus parceiros - incluindo Portugal - em risco de sofrer as consequências negativas nas suas próprias economias.