Quem vai programar o CCB?

O Ministério da Cultura procura garantir que o pelouro da programação venha a ter um responsável no Centro Cultural de Belém.

Centro Cultural de Belém
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Em 2021 o CCB deverá receber a presidência da União Europeia daniel rocha

Miguel Honrado sai do Centro Cultural de Belém (CCB) sem ter conseguido assumir na administração presidida por Elísio Summavielle a coordenação da programação num dos mais importantes equipamentos culturais de Lisboa.

Mas os planos da ministra da Cultura, sabe o PÚBLICO, passam por assegurar que quem venha a substituir este gestor que agora transita para a Orquestra Metropolitana de Lisboa fique, efectivamente, com a área da programação. Graça Fonseca deverá dar orientações nesse sentido quando escolher o nome do novo vogal do conselho de administração, a juntar-se a Elísio Summavielle e ainda a Isabel Cordeiro.

Antes de renunciar esta semana ao cargo a que chegou há oito meses por nomeação da ministra da Cultura, Miguel Honrado esclareceu, em declarações ao PÚBLICO, que não se revia na orientação do projecto. Ao contrário do que aconteceu com a sua antecessora, Luísa Taveira, o antigo secretário de Estado da Cultura ficou com os pelouros da comunicação e do mecenato cultural, quando a sua expectativa, dissera em Março quando foi conhecida a sua nomeação, seria ficar com a coordenação da programação que é proposta à administração pelos cinco programadores das diferentes áreas do CCB.

Na mesma altura, Graça Fonseca reconduziu Elísio Summavielle, nomeado em 2016 pelo então ministro da Cultura João Soares, tal como Isabel Cordeiro, uma vez que Luísa Taveira optou por ficar apenas um mandato na administração do CCB. O Ministério da Cultura esclareceu que a definição das funções do novo vogal cabiam ao presidente, mas Summavielle acabou por nunca atribuir a pasta da programação a Honrado.

Na apresentação da temporada 2019/2020, também em declarações ao PÚBLICO, o presidente do CCB defendeu que os administradores não devem programar e que neste mandato tinha optado por ser o conselho de administração a enquadrar e a aprovar a programação de uma forma colegial.

“Não percebo por que razão Miguel Honrado não ficou com o pelouro da programação”, disse Luísa Taveira esta sexta-feira ao PÚBLICO. “Tem de haver uma orientação e uma coordenação a priori e depois, como sempre aconteceu, há a aprovação pelo conselho de administração. Uma programação não se coordena colegialmente e não pode ser um mero preenchimento do calendário.”

Esta sexta-feira, interrogado pelo PÚBLICO sobre a razão pela qual não atribuíra o pelouro da programação a Honrado, o presidente do CCB remeteu para as declarações feitas em Setembro na apresentação da temporada.  

UE deverá ocupar CCB

“Ai! Neste caso, era o homem certo no lugar certo. Que pena desaproveitar assim quem, neste caso, pode fazer bem”, comentava esta semana na sua página de Facebook Jorge Silva Melo, director dos Artistas Unidos, depois de se conhecer a saída de Miguel Honrado, que apresenta em Março no Pequeno Auditório Vidas Íntimas, de Noël Coward, um dos destaques da temporada.

Para já, a temporada de 2020 cobre apenas os primeiros seis meses do ano, uma vez que é expectável que a presidência portuguesa da União Europeia regresse a Belém em 2021, tal como aconteceu em 1992, e que o complexo cultural leve ainda alguns meses a ser preparado. As equipas do Ministério dos Negócios Estrangeiros devem instalar-se no CCB no último trimestre do ano.

O administrador que irá substituir Miguel Honrado, a confirmar-se a sua chegada no início de 2020, é provável que só se venha a dedicar intensamente às suas novas funções na temporada de 2022.