Menos ignições e menos área ardida nos últimos dois anos

A quantidade de incêndios em áreas de mais de 100 hectares também caiu.

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Rui Gaudencio

Em 2018 e 2019 houve uma diminuição de 47% de ignições face aos 10 anos anteriores (2008/17), e igualmente uma diminuição de 69% de área ardida nos últimos dois anos, comparando com a mesma média 2008/17, revelou ontem o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, durante a apresentação Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR).

O ministro atribuiu estas reduções ao trabalho mais coordenado entre todas as instituições ligadas à prevenção e combate aos incêndios rurais e a “uma nova visão e acção sobre os fogos”, que disse ter sido iniciada após os grandes incêndios de 2017, com um “número inusitado” de vítimas. Salientou os “grandes investimentos financeiros e em meios humanos e materiais” feitos nesta área.

“Deixou-se de falar da época de incêndios, este é hoje um tema para todo o ano”, disse o ministro, explicando que não havendo fases para incêndios há um “mecanismo flexível que permite uma resposta imediata”.

Eduardo Cabrita salientou mesmo o facto de no debate parlamentar sobre o programa do Governo e nos debates quinzenais com o primeiro-ministro “não se ter falado em incêndios” florestais.

Ainda em jeito de balanço dos dois últimos anos, Eduardo Cabrita lembrou que no período 2008/17 houve uma média de 139 incêndios anuais com mais de 100 hectares, que passaram para 40 nos anos de 2018 e 2019. Em relação a incêndios com mais de 1000 hectares registaram-se 17 ao longo de toda a década, dois nos últimos dois anos. Neste espaço de tempo, 69% dos incêndios florestais aconteceram por negligência, 29% de forma intencional e apenas 2% por forma natural.

O tenente general Soares de Almeida, em representação do Estado Maior General das Forças Armadas, revelou que neste ano estiveram envolvidos na prevenção e combate 7966 militares e 1703 viaturas. Já por parte da GNR estiveram envolvidos 6.721 militares, que cumpriram um total de 31.938 horas no combate aos incêndios.

Vítor Caeiro, tenente-coronel general da GNR, revelou ainda que em 2019 foram realizadas 53.991 patrulhas no âmbito de acções de vigilância, prevenção e detecção de incêndios tendo sido detidas 58 pessoas pelo crime de fogos florestais e identificadas 568 suspeitos pela prática do mesmo crime. Foram também instaurados 7888 autos de contra-ordenação por incumprimento da lei de limpeza de matos e floresta.

Nas 9529 investigações levadas a cabo pela GNR no âmbito de incêndios florestais foi apurado que 3612 aconteceram por negligência, 3267 por razões desconhecidas e 1922 por acção intencional.

A GNR apurou ainda 35% dos incêndios aconteceram por uso indevido de fogo. Ou seja nas mais variadas queimadas de material realizadas nos meios rurais e florestais.