Opinião

Cartas ao director

A ADSE e o SNS

Os responsáveis pela ADSE ficam mudos a todas as reclamações que faço. Ou quando “generosamente” respondem fazem-no para me passarem o estatuto de ignorância de eu não ser capaz de interpretar textos legais. “A contrario sensu”, faço essas reclamações, precisamente, por considerar que a legislação da ADSE despreza, pela sua aplicação retroactiva, princípios de boa-fé e protecção de confiança relativamente à expulsão dos familiares de seus beneficiários por terem passado a usufruir de pensões de miséria da Segurança Social.

Com teimosia, repetem a minha pretendida ignorância em interpretar textos legais, nada valendo eu avocar ter uma 4.ª classe do antigo ensino primário que me habilitou para a interpretação de textos literários e diploma de estudos de ensino superior que me dão uma certa garantia de não ser estúpido de todo. Usando, apenas, do direito de cidadania em fazer perguntas e em ser esclarecido, limito-me a insistir para que a ADSE me informe sobre o bom senso de uma medida  que atirou para os braços de um  moribundo SNS (Serviço Nacional de Saúde) nova “clientela” que deixou de interessar a uma medicina privada destinada àqueles que sacrificam os seus muitos ou parcos haveres em prol do supremo bem de uma vida com saúde

Entretanto, pobres e remediados são lançados para a antecâmara da morte de uma assistência hospitalar carecida de meios humanos e materiais em decadência acelerada sem medidas governamentais que trave este staus quo.

Rui Baptista, Coimbra

BE com razão, PS sem ela  

O fim da suborcamentação na saúde, com o reforço de 800 milhões de euros, defendido pelo BE, parece justo e necessário e não se compreendem as aparentes reticências do PS. Num país, onde há sempre dinheiro para os bancos, como Jerónimo de Sousa não se cansa de dizer, como pode não haver para a saúde? Acresce que as praticas dos bancos são cada vez mais imorais, mesmo obscenas, pelo que a nacionalização dos mesmos, pretendida pelo BE, apresenta-se como a solução que melhor serviria os portugueses. A cobertura que Costa dá à banca, bem como a outros representantes do grande capital, afasta-me do PS, duvidando da pureza dos seus ideais socialistas. O Bloco, ao falar dos 800 milhõees, só não disse que há quatro anos que não se faz um hospital no pais e que a verba gasta no futebol é assustadora! Melhorar o SNS, sem novas urgências, é caçar “leões com fisga. Requiem pela saúde!

Simões Ilharco, Lisboa

Língua portuguesa

Reagindo embora com algum atraso, não quero deixar de sugerir que o PÚBLICO tenha mais cuidado com o uso da língua. Vem isto a propósito do facto de a expressão “cumprir com”, muito usada por um dos vossos cronistas (que aliás aprecio), ter aparecido em destaque como título de notícia, o que compromete todo o jornal. Ora, julgo que se trata de um castelhanismo, cuja adopção me parece totalmente injustificada. Em português, cumpre-se um plano, um desígnio, uma promessa; não se “cumpre com” nada. Portanto, cumpra-se a gramática.

Manuel Pedro Ferreira, Lisboa