Cinco nomeações para Polanski nos prémios da imprensa estrangeira em França

J’Accuse aproxima-se do milhão de espectadores em França, apesar de a estreia de ter sido recebida com apelos ao boicote na sequência das acusações de violação feitas ao realizador por uma modelo e fotógrafa.

,Um oficial e um espião
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Jean Dujardin, nomeado como melhor actor por J'Accuse
,Prêmio do Júri de Cannes
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Les Misérables, outro dos títulos mais falados em França neste momento, é o filme mais nomeado
,Festival de Cannes de 2019
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Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles é um dos filmes que inaugura uma nova categoria, a de Melhor Co-Produção Internacional

Já candidato a seis Prémios do Cinema Europeu (32ª edição, cerimónia dia 7 em Berlim), J'Accuse, de Roman Polanski, foi nomeado para cinco Lumières, os prémios de cinema entregues pela imprensa estrangeira em Paris: melhor filme, melhor realizador, melhor actor (Jean Dujardin), melhor argumento e melhor direcção de fotografia. A cerimónia da 25ª edição realiza-se no Olympia de Paris a 27 de Janeiro de 2020.

 J'Accuse foi recebido em França no dia 13 de Novembro com as declarações de uma antiga actriz, modelo e fotógrafa, Valentine Monier, acusando Polanski de a ter violado “com extrema violência” em 1975, na estância de esqui de Gstaad, Suíça, quando tinha 18 anos. A campanha de marketing foi imediatamente suspensa (entrevistas com o realizador e actores foram anuladas), houve apelo ao boicote nas salas (houve sessões canceladas...), mas o filme, estreado em mais de 500 salas, aproxima-se do milhão de bilhetes vendidos. Será um dos filmes de maior êxito de Polanski em França, onde os seus maiores sucessos foram Piratas (1986), com 2 milhões de entradas, Tess (1979), 1,9 milhões, e O Pianista, 1,8 milhões.  

J’Accuse, o título da carta que Emile Zola publicou no jornal L’Aurore a 13 de Janeiro de 1898, dirigindo-se ao presidente da República Francesa, Félix Faure, acusando membros do aparelho militar e do governo de cumplicidade na forjada condenação por traição de um inocente, o oficial de artilharia judeu Alfred Dreyfus, estreou-se mundialmente no Festival de Veneza, onde recebeu o Prémio do Júri. É a adaptação do romance An Officer and a Spy de Robert Harris.​ Tem estreia portuguesa marcada para final de Janeiro de 2020.

Os outros títulos nomeados para os Lumières são Graças a Deus, de François Ozon (Urso de Prata em Berlim, teve cinco nomeações, incluindo melhor filme e melhor actor, e tem estreia marcada para Portugal para dia 12), Portrait d'une jeune fille en feu, de Celine Sciamma, Roubaix, une Lumière, de Arnaud Desplechin, e Les Misérables, de Ladj Ly (Prémio do Júri em Cannes). Este é o líder dos nomeados, sete nomeações. É o único a concorrer simultaneamente na categoria de melhor filme e melhor primeira obra. E representará a França na corrida para os Óscares. É outro dos títulos mais falados em França neste momento: novo acerto de contas com o “cinema da banlieue” francês, traz a caução de “realidade”, “verdade”, de “autenticidade”, pelo facto de Ladj Ly, 38 anos, ter passado parte da sua vida a documentar para a Internet, em curtas-metragens documentais, a vida no seu bairro, Montfermeil, subúrbio de Paris.

Um outro premiado em Cannes, Atlantique, de Mati Diop (Grand Prix, filme que em Portugal só poderá ser visto na plataforma Netflix) está nomeado para melhor primeira obra e na categoria de actriz estreante (Mama Sané) e música, enquanto Roubaix, une Lumière tem quatro nomeações, incluindo melhor filme, realizador, actor, director, actor (Roschdy Zem) e fotografia.

Há uma categoria nova, de melhor co-produção internacional: Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, It Must Be Heaven, de Elia Suleiman, Le Jeune Ahmed, dos irmãos Luc e Jean-Pierre DardenneLola vers la mer, de Laurent Micheli e Papicha, de Mounia Meddour.

Já neste fim-de-semana, na cerimónia dos prémios do Cinema Europeu, J'Accuse tem como concorrentes na categoria de Melhor Filme Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, O Traidor, de Marco Bellocchio, Les Misérables, de Ladj Ly, A Favorita, de Yorgos Lanthimos, e System Crasher, de Nora Fingscheidt. Os três primeiros filmes põem em jogo, também, um “duelo” entre os seus actores principais, Dujardin, Antonio Banderas e Pierfranceso Favino.

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