António Costa diz que a NATO saiu reforçada da festa do seu 70.º aniversário

O debate entre os líderes foi “franco, tranquilo e sereno” e mostrou que todos estão convencidos do “papel absolutamente essencial” da Aliança Atlântica, garantiu o primeiro-ministro.

Jens Stoltenberg
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António Costa na cimeira com os dois anfitriões, Jens Stoltenberg, o secretário geral da NATO, e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson Yves Herman/REUTERS

O primeiro-ministro, António Costa, fez referência ao clima de confiança, unidade e cooperação que marcou o debate entre os 30 líderes da NATO, no encontro de comemoração do 70.º aniversário da Aliança Atlântica, esta quarta-feira, nos arredores de Londres. “Quem temia que a cimeira revelasse uma NATO dividida e enfraquecida pode ficar desiludido. Quem tinha a esperança de que a NATO tivesse aqui uma afirmação muito clara da sua unidade pode estar satisfeito”, resumiu António Costa, que foi o primeiro líder nacional a falar aos jornalistas após a conclusão do encontro.

A declaração do primeiro-ministro remetia para as posições desencontradas manifestadas na véspera da reunião pelos Presidentes dos Estados Unidos e da França. À chegada a Londres, Donald Trump referiu-se às opiniões de Emmanuel Macron sobre o funcionamento da NATO como “desrespeitosas”. O líder gaulês deixou claro que não alterava uma palavra da sua famosa entrevista à The Economist, em que se pronunciou sobre a “morte cerebral” da Aliança.

De acordo com o primeiro-ministro, todos os parceiros “concordaram que a NATO tem um papel absolutamente essencial, e que o reforço do pilar europeu da NATO não é um caminho para o divórcio transatlântico, mas para podermos ter um maior equilíbrio entre estas duas frentes e assim reforçar o conjunto da NATO”, afirmou.

“Fora alguma frase mais mediática que uns ou outros tenham produzido fora do debate, a reunião demonstrou que a NATO não atravessa nenhuma crise existencial”, garantiu António Costa, num tom conciliador. O debate entre os líderes — que durou menos de três horas — decorreu de forma “muito franca, tranquila e serena”, revelou. “Foi muito claro o objectivo de todos reafirmarem a unidade e a confiança acrescida na solidariedade transatlântica”, sublinhou.

Nesse sentido, reconheceu, o encontro de Londres “foi significativamente diferente” da cimeira de 2018, em Bruxelas, quando o Presidente norte-americano chegou a ameaçar uma retirada da NATO se os outros parceiros não aumentassem o seu esforço financeiro na área da defesa. Questionado sobre o comportamento de Donald Trump, esta quarta-feira, António Costa disse que “foi totalmente normal”. Aliás, descreveu todo o evento como um “retomar da normalidade no relacionamento entre todos, com grande franqueza e espírito construtivo e grande vontade de reforçar a unidade.

De acordo com o primeiro-ministro, todos os parceiros “concordaram que a NATO tem um papel absolutamente essencial, e que o reforço do pilar europeu da NATO não é um caminho para o divórcio transatlântico, mas para podermos ter um maior equilíbrio entre estas duas frentes e assim reforçar o conjunto da NATO”, afirmou