Fórum para a Competitividade: subida do salário mínimo pode causar até 100 mil desempregados

Fórum para a Competitividade defende que, se as novas subidas do salário mínimo não forem compensadas com medidas de aumento da produtividade, podem ter efeitos no emprego.

Pedro Ferraz da Costa é o presidente do Fórum para a Competitividade.
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Pedro Ferraz da Costa é o presidente do Fórum para a Competitividade Enric Vives-Rubio

O Fórum para a Competitividade alerta hoje que novas subidas do salário mínimo “sem medidas significativas de aumento da produtividade” podem provocar entre 50 mil e 100 mil novos desempregados.

“Novas subidas extraordinárias do salário mínimo, sem medidas significativas de aumento da produtividade, podem traduzir-se em aumentos substanciais do número de desempregados (entre 50 mil e 100 mil), da taxa de desemprego (entre um e dois pontos percentuais), bem como numa degradação das contas externas”, indica o Fórum para Competitividade na nota de conjuntura de Novembro, divulgada esta terça-feira.

A entidade prossegue que este aumento do desemprego pode verificar-se “quer no sector não transaccionável, se o Estado não actualizar os preços a fornecedores, quer no sector transaccionável, que não tem hipótese de repercutir o aumento de custos em preços superiores”.

A análise assinada por Pedro Braz Teixeira, director do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade, especifica que “as consequências de subidas extraordinárias do salário mínimo são muito diferentes no sector transaccionável (agricultura e indústria) e no sector não transaccionável (serviços)”, explicando que no sector não transaccionável “há alguma capacidade em reflectir aquele aumento em preços mais elevados”, enquanto no sector transaccionável “não há praticamente margem nenhuma para subir preços, pelo que há um muito maior risco de não sobrevivência”.

O Fórum para a Competitividade refere também que “as anteriores subidas extraordinárias do salário mínimo não se traduziram em aumento do desemprego, por duas razões”. Por um lado, “porque a conjuntura externa era excepcional”, e, por outro, “porque o congelamento anterior desta remuneração tinha criado alguma folga nas empresas”.

Contudo, a entidade aponta que ambas as razões “deixaram de se verificar” e alerta que “é sobre empresas fragilizadas que os novos aumentos se vão aplicar”.

A nota de conjuntura recorda que, no terceiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego desceu de 6,3% para 6,1% e que o Governo quer que o salário mínimo suba até 750 euros em 2023, “enquanto as associações patronais parecem dispostas a concordar com uma subida até 700 euros, mediante a negociação de contrapartidas”.

Contudo, o Fórum para a Competitividade refere que “não é ainda claro quais serão essas contrapartidas, mas teme-se que sejam muito insuficientes”.

Pedro Braz Teixeira salienta, neste âmbito, que é “essencial criar condições para uma efectiva subida da produtividade”, a seu ver a “única forma de dar sustentabilidade a uma subida do salário mínimo e do salário médio”.

Em 15 de Novembro, o Presidente da República promulgou o aumento salário mínimo nacional para 635 euros em 2020.